Em um de seus últimos atos à frente da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) do governo Zema, Bárbara Bottega, pré-candidata a deputada federal pelo partido Novo, suspendeu a exposição “Habeas Corpus”, do artista visual Élcio Miazaki. A mostra, que estava agendada para inaugurar na sexta-feira (27), na Galeria de Arte Nello Nuno, da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), estabelecia um diálogo crítico entre o nu masculino e o período da ditadura militar no Brasil.
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Silenciamento
A decisão de Bottega, que deixa o cargo no governo Romeu Zema para disputar as eleições de outubro, foi classificada por artistas e entidades do setor como um ato de censura ideológica e prévia. A exposição já havia passado por todos os trâmites de aprovação técnica e contava com classificação indicativa de 14 anos, conforme as normas vigentes. No entanto, a ex-secretária justificou o veto alegando “cautela”, sob o argumento de que “canja de galinha nunca fez mal a ninguém”.
O artista Élcio Miazaki reagiu à suspensão lamentando a interrupção do ciclo da obra, que utiliza o corpo masculino como metáfora para as privações de liberdade e as violações de direitos humanos ocorridas durante o regime militar. “Curiosamente, minha produção, que muitas vezes aborda os silêncios, teve um processo de silenciamento”, comentou ele.
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