Os governos estaduais devem encerrar 2026 em situação fiscal mais delicada do que a registrada no ano passado. Levantamentos de mercado revelados em reportagem do O Globo apontam que, em pleno calendário eleitoral, os estados caminham para fechar o exercício com déficit de aproximadamente R$ 6 bilhões, revertendo o saldo positivo observado em 2025.
O avanço das despesas em ritmo superior ao crescimento das receitas tem sido o principal fator por trás desse cenário. Dados acumulados até abril mostram que os gastos estaduais cresceram acima da inflação em proporção significativamente maior do que a arrecadação.
A diferença acendeu um alerta entre especialistas, que observam um comportamento recorrente em anos de disputa eleitoral, quando governos costumam ampliar investimentos, programas e desembolsos em diversas áreas.
A deterioração das contas ocorre mesmo após muitos estados terem iniciado o ano com reservas financeiras acumuladas em exercícios anteriores. Esse colchão de recursos tem permitido ampliar despesas sem impactos imediatos, embora a margem disponível seja menor do que a registrada em períodos recentes.
Entre os casos que mais preocupam analistas estão Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Norte, que começaram o ano com dificuldades de caixa e desafios para cumprir compromissos futuros. Outros estados, como Goiás, Tocantins, Paraná e Mato Grosso do Sul, também apresentam sinais de pressão fiscal.
Além da utilização das reservas, medidas aprovadas nos últimos anos ampliaram a capacidade de gasto dos governos regionais. A renegociação de dívidas por meio de programas federais e o alongamento dos pagamentos de precatórios reduziram desembolsos imediatos, liberando espaço no orçamento para novos investimentos e despesas correntes.
Estudiosos destacam, contudo, que a situação não é uniforme em todo o país. Estados como Espírito Santo, São Paulo, Piauí e Sergipe aparecem entre os mais equilibrados sob o ponto de vista fiscal. Na outra ponta, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul seguem enfrentando dificuldades estruturais relacionadas ao elevado endividamento e à dependência de sucessivas renegociações com a União.
A expectativa é de que os investimentos estaduais avancem de forma expressiva ao longo do ano, contribuindo para uma política fiscal mais expansionista. O desafio, segundo economistas, será evitar que o aumento dos gastos comprometa ainda mais o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.
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