O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado nesta terça-feira (14) no Senado, propõe o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, ampliando o alcance político de uma comissão que originalmente tinha como foco investigar facções criminosas. O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), ainda será submetido à votação dos integrantes do colegiado.
De acordo com o relator, há indícios de crimes de responsabilidade atribuídos aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além de suposta omissão por parte do chefe do Ministério Público Federal. A partir dessas conclusões, o texto sugere a abertura de processos que podem levar a pedidos de afastamento das autoridades citadas, caso o Senado decida avançar com as medidas.
A investigação ganhou novo rumo ao incorporar apurações sobre o Banco Master, instituição financeira que, segundo o relatório, teria operado esquemas envolvendo recursos de origem ilícita e possíveis conexões com o crime organizado.
O documento aponta que estruturas financeiras teriam sido utilizadas para movimentar dinheiro de facções, além de indicar relações entre o banco e agentes públicos.
No caso de Moraes, o relator menciona vínculos indiretos com a instituição e levanta questionamentos sobre eventuais conflitos de interesse. Em relação a Toffoli, o texto sustenta que decisões judiciais tomadas durante a condução de investigações teriam favorecido envolvidos no caso. Já Gilmar Mendes é citado por decisões que, segundo a CPI, teriam interrompido medidas investigativas relevantes.
O relatório também afirma que a Procuradoria-Geral da República não avançou em apurações mesmo diante de elementos apresentados por órgãos de investigação, como a Polícia Federal.
Se aprovado, o documento será encaminhado à presidência do Senado, responsável por decidir se dá seguimento às medidas sugeridas. Até o momento, não houve manifestação oficial das autoridades mencionadas sobre o conteúdo do relatório.
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