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Feminista aos 12; vereadora aos 22: a precoce e incrível jornada de Bia Alcântara

Bia Alcântara descobriu aos 12 anos de idade o que era feminismo. Quando ela tinha apenas metade dessa idade, sua mãe teve que fugir de Curitiba para a minúscula cidade de Ouro Verde do Oeste, no interior do Paraná, na tentativa de escapar da violência do marido.

Não adiantou. Ele as perseguiu, destruiu a casa onde elas estavam escondidas, obrigando mãe e filha a fugir de novo, desta vez para Cascavel, – a 500 quilômetros da Capital do Paraná. “Tenho cenas gravadas na minha cabeça da violência doméstica e dos momentos de angústia, de medo. Desde muito pequena, eu tinha muito claro algumas coisas sobre o que era a violência, por que mulheres apanham mais do que homens”, conta. Daí para a militância no movimento estudantil, aos 14 anos e para a política, aos 19, foi só uma questão de tempo.

Hoje, Bia é a única vereadora mulher e progressista de Cascavel – município de 370 mil habitantes em pleno território do agro – eleita com apenas 22 anos. Com o destemor da juventude, ela não poupa nem a esquerda, a quem critica por dificultar a abertura de espaço para novas lideranças na política institucional.

A crítica também vai para quem, incluindo nos setores progressistas, tenta diminuir a importância das políticas identitárias que discutem direitos das mulheres, negros e população LGBTQIA+ como questões “menores”. “A gente está batendo recorde de violência contra mulheres e afins, porque isso não foi olhado com a devida atenção por muito tempo”, lembra.

Nessa entrevista ao Brasil Fora da Caverna, Bia detalha sua trajetória precoce, mas já rica de experiência, reflete sobre os desafios da esquerda e defende a renovação não só de quadros, mas de discurso e linguagem para recuperar o terreno perdido nos últimos anos, e barrar o risco de um retrocesso à extrema-direita no Brasil e no mundo.

BFC: violência e feminismo

Bia Alcântara: nasci (em Curitiba). (Vim para o interior) com seis anos de idade. Minha mãe é do interior. Meu pai, que já é falecido, era de Cambé, região do norte do Paraná. A gente saiu daqui num contexto muito difícil, de violência doméstica. Minha mãe sofria violência doméstica e a gente precisou ir para o interior por isso.

Minha mãe já morava (em Cascavel) já faziam uns 20 anos. Conheceu meu pai e, assim como geralmente acontece, a violência foi progredindo até o ponto que ficou insustentável. Era numa época em que a Lei Maria da Penha (não era conhecida). Estava em teste, praticamente. Estava começando e não fazia o atendimento adequado das mulheres. Não existia forma de ficar aqui. Ele nos perseguia e minha mãe queria se separar. Ele ia até o lugar, a gente estava escondida. Até o momento que a gente saiu de madrugada, escondidas para sobreviver.

(Fomos) sozinhas para uma cidadezinha chamada Ouro Verde d’Oeste, que é uma micro cidade onde minha mãe achou que estaria super protegida. Mas infelizmente meu pai nos achou, foi até nós, quebrou nossa casa e a gente fugiu pra Cascavel.

E estamos lá até hoje. Meu pai era ex-presidiário e tentava se estabelecer no mercado de trabalho. Minha mãe é professora até hoje do Estado. Eu lembro completamente. Tenho cenas gravadas na minha cabeça da violência doméstica e dos momentos de angústia, de medo.

Lembro do meu pai, de como era viver em Curitiba também. Fui descobrindo algumas coisas ao passar da minha vida. Alguns detalhes de toda essa história. Mas desde muito pequena, eu tinha muito claro algumas coisas sobre o que era a violência, por que mulheres apanham mais do que homens. Porque existe essa lógica. Minha mãe sempre conversou muito comigo sobre isso, então me marcou nesse sentido. Porque quando tinha 12 anos, eu descobri a palavra feminismo. O que era ser feminista. Lembro muito bem que foi a minha tia que mandou um vídeo da Emma Watson (atriz britânica), que era embaixadora da ONU Mulheres.

Aí eu descobri que existia essa palavra feminismo. Entendi que eu era feminista assim. Foi muito, muito interessante. Entendi todo aquele pensamento que eu vinha desenvolvendo desde criança. Que observava que não era justo a minha mãe apanhar e que a mãe do meu pai também apanhava. Sabe essa coisa que tinha nome, que era feminismo. Por isso sou feminista desde criancinha.

BFC: o começo na militância

Bia: comecei a militar bem nova. Para além dessa coisa de gostar de discutir sobre política. Mas com 14 anos participei das ocupações nas escolas aqui no Paraná. As ocupações foram feitas, em sua maioria, pelo pessoal do ensino médio. Mas eu já queria ser muito envolvida nas questões sociais.

Estava ali por dentro também e a partir disso nunca parei. No ensino médio, (fui) muito envolvida no movimento estudantil. No movimento partidário entrei só com 19 anos. Mas sempre participando de congressos e afins.

Acho que uma pessoa que fez muita diferença na minha vida nesse sentido foi a minha própria mãe. Porque ela era sindicalizada, professora e sempre se importava muito. Se tinha greve ela entrava, me explicava a importância.

Quando surgiu a ocupação, para mim era muito natural. “Ok, então nós, como estudantes, entendemos que esse é um momento que a gente tem que lutar contra o corte de investimento na educação”. Para mim foi natural, inclusive tive apoio da minha família. E tem uma coisa que, pela minha criação, pelo que tudo que me marcou, que é uma sensação de injustiça e de revolta muito grande.

Não suportava a ideia de não estar junto com a galera que eu achava que estava lutando pelo certo. Sempre fiz campanha para alguém, mas na militância mesmo, por acreditar que fazia sentido. Quando eu tinha 17, 18 anos, me aproximei da professora Lilian (ex-vereadora do PT de Cascavel), que é minha antecessora como vereadora e uma professora universitária da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) e sindicalista. Uma grande figura. Ela me chamou para me filiar. A minha mãe, nessa época, já era do diretório do PT. A gente já tinha esse convívio em casa. Mas foi com esse convite que decidi me filiar mesmo. Quando eu comecei a trabalhar como estagiária na Câmara, tive mais acesso a como é esse momento de fazer a organização das chapas, por exemplo, de quem vai sair candidato.

Quando estava tendo essa organização, eu que era uma militante – mas ainda não tinha me colocado em nenhum momento como candidata, até porque tinha 22 anos – percebi que não tinha juventude nenhuma na chapa. Isso me incomodou demais. Os nomes que estavam sendo colocados tinham todos mais de 30 anos. É perfeito, tem sua representatividade. Mas o que me incomodava – porque dentro do partido, dos movimentos sociais – existe uma reclamação e uma crítica à juventude por não se organizar junto. E a minha crítica a essa crítica sempre foi o fato de que se não existe representatividade, se não existe essa identificação com as nossas lideranças, é muito difícil. Mesmo que a juventude se sinta à vontade, motivada a estar em outros movimentos.

Eu pensava assim: “não, eu vou colocar meu nome à disposição, nem que seja para que alguns jovens vejam que há essa possibilidade”. De que a política não é totalmente envelhecida. E que só consegue olhar para uma perspectiva de mundo que não é a nossa. Que está num contexto social muito diferente do que as juventudes anteriores socialmente, economicamente, ao acesso à cultura, ao trabalho, à educação.

Não me sentia confortável apoiando um partido que não tivesse a nossa representatividade. Acredito que a política é uma dinâmica de poder e esse poder não é passado tão facilmente. Acredito muito naquela frase de que não existe espaço vazio e todo espaço tem que ser conquistado. Não tem nada esperando você.

BFC: renovação na política

Bia: entre a juventude, a gente tem que se colocar e disputar esse espaço também. Acho que é uma coisa, não vou falar natural, porque acho que não deveria ser. Acho que deveria existir, em todo o partido, uma noção de que é necessária uma renovação dos quadros.

Para que haja renovação, a gente tem que provar que consegue. Se hoje sou vereadora é porque me articulei e fiz uma campanha e os eleitores comprovaram que eu tinha capacidade de estar nesse espaço. A minha avaliação, inclusive pensando em como o partido se organiza por dentro e como também aparece para fora, é que existe uma dificuldade de fazer uma renovação na forma de fazer política também.

Existem práticas que foram excelentes anos atrás, mas que já não funcionam tanto. Até o próprio uso da internet, que eu acredito que é um dos pontos fortes das nossas candidaturas jovens no Brasil hoje. Porque estão tão nesse campo de debate que a internet, que são as redes sociais e que é essencial hoje em dia. Não se faz mais política sem estar nesse espaço e a gente está dominando esse cenário.

A prática da política precisa também ser renovada pelo atual contexto. Acho que a direita, a extrema-direita, eles saíram na frente nesse lance de dominar a linguagem das redes.

Ontem mesmo eu vi um ranking das mulheres da política que mais têm ganhado espaço na internet e fiquei assustada. Porque a maioria é de direita. Inclusive, a que tem mais influência disparada, a Michelle Bolsonaro. Mas eu sinto que a gente tem ganhado mais espaço. A gente tem conseguido novas estratégias para chegar em novos lugares na internet. Mas tenho certeza que a direita conseguiu pensar primeiro nisso. Até dando disparo no WhatsApp e tudo. E que consegue atingir da juventude aos mais velhos. Eles têm esse talento.

BFC: extrema-direita “antissistema”

Bia: tem uma coisa que sempre organizou a juventude, que é essa coisa do antissistema. Você está se revoltando contra o sistema. Acredito que na época da redemocratização, era muito óbvio que a juventude estava lutando contra o autoritarismo, porque isso era um sistema que estava destruindo a sociedade.

Isso era uma coisa mais natural. Hoje, a direita conseguiu subverter isso e colocar como se nós da esquerda – que hoje, por exemplo, temos o governo federal – como tendo que fazer muitas articulações para conseguir governar e que nós somos o sistema. Que antissistema é se colocar nessa posição de que eu sou contra os direitos humanos, as mulheres.

A gente tem essas células horrorosas de homens machistas na internet, os “incels” (celibatários involuntários). Que estão se organizando muito bem, inclusive para violentar as mulheres. Sinto que esse foi um movimento que hoje existe. Uma ideia de que ser direita é que é legal, descolado. Você está sendo extremista. Mas é um movimento que a gente consegue reverter, inclusive com lideranças jovens no poder. Tenho essa clareza e não falo isso só por mim, mas porque observo que, quando a gente tem lideranças pautando as questões que são caras para nós atualmente, isso tem muitas frentes. É falando do trabalho que está precarizado. Pra gente falar das novas formas de trabalho. É falar da educação, do acesso à cultura que a gente não pode negligenciar na política, porque a juventude quer viver e isso passa pelo lazer.

Tudo isso aproxima a juventude. Acho que esse é um dos caminhos. Parar também com essa ideia de que a juventude teria menos experiência para debater. A gente tem que permitir mais que as pessoas coloquem suas ideias, inclusive nos novos espaços. A juventude está na rua, mas também esta na internet debatendo. A gente tem que aceitar isso. Muitas vezes, as discussões estão acontecendo no “X” (antigo Twitter).

BFC: eleição

Bia: fui o voto mais barato da minha cidade, do PT, pelo tanto de dinheiro que recebi para fazer campanha e pelo que eu consegui reverter em votos. Foi o voto mais barato mesmo, porque a gente usou diferentes estratégias que não diretamente precisavam utilizar dinheiro. A gente, primeiro, estava em muitos espaços. Eu estava muito presente na cidade, nos bares, nas escolas, universidades, na saída dos trabalhos, nos sindicatos. Presencialmente, conversando e escutando. Porque eu acredito que isso é uma resposta. Muitas vezes a gente quer muito propor, propor, propor. E acaba esquecendo o fato de que as pessoas também querem ser ouvidas, querem propor, participar.

A gente esteve muito presente na internet também, e isso foi algo muito legal. Porque tanto pelo público da juventude quanto outros públicos que estão na internet, que vão ser acessados assim, a gente não vai encontrar elas na rua.

Isso foi uma ferramenta muito importante para nós. Foi surpreendente. Estou numa cidade, numa região que é conhecida por ser muito conservadora. É o “velho oeste” do Paraná, dos coronéis. Dessa dificuldade da gente da esquerda, do movimento de partidos progressistas ampliarem ali. Foi uma surpresa pra todo mundo eu ter sido eleita.

Eu, aos 22 anos, a única mulher no parlamento. Mas também sinto que foi uma resposta. O que os eleitores mesmo querem? Querem escutar, querem renovação, ver novos quadros. Tem essa preocupação. Ouvi muito de pessoas mais velhas, de 70, 80 anos, que me encontravam e falavam: “votei em você porque eu quero ver pessoas novas na política. Porque vou morrer daqui um tempo e quero ter a certeza de que outras pessoas que eu acredito estão dominando esse espaço também”.

Logo que eu fui eleita, antes mesmo de ter mandato, participei de um evento que é do Instituto “Se Fosse Você”. Que é um instituto da (ex-deputada federal) Manuela D’Ávila, com várias mulheres muito importantes. Ela fez um evento para reunir as mulheres que haviam sido eleitas, que já tinham mandato, também já estavam nessa luta. Lembro que, como eu não tinha mandato ainda, escutei muito.

Eu escutava muito das mulheres esse sentimento de solidão e ficava um pouco assustada. Eu pensava: “não, mas às vezes, na minha vez não vai ser assim. Na minha Câmara não vai ser assim”. Por mais que existissem vários fatores que me fizessem acreditar que seria. Hoje percebo como é esse o sentimento.

Tenho, claro, muitas mulheres, grupos que me apoiam. E quando tem esses momentos de misoginia e de violência política de gênero na Câmara, estão ali para me auxiliar. Mas dentro da Câmara é muito complexo debater política, sendo a única mulher, a única de partido progressista. É solitário. Ao mesmo tempo, a gente representa muita gente que não está nem um pouco representada na Câmara. É muito trabalho. Mas é um trabalho que faço com muita alegria de poder representar de alguma forma esse pessoal. É complexo. É um ambiente muito violento para nós.

BFC: pautas identitárias

Bia: a gente passa por anos, por exemplo, sem debater de forma aprofundada dentro da esquerda, a importância de ter mulheres no parlamento. Ter mulheres no Executivo. Isso é uma coisa que fez com que as políticas para as mulheres fossem atrasadas. Tudo bem, o companheiro de esquerda que estava ali nos representando, olhava muito bem para os setores, por exemplo, sociais, econômicos, da luta pelos trabalhadores.

Mas, por outro lado, todas essas pautas que dizem serem identitárias acabam para trás. A gente está batendo recorde de violência contra mulheres e afins, porque isso não foi olhado com a devida atenção por muito tempo. Acredito que uma coisa não apaga a outra, não se opõe a outra. Eu posso debater questões identitárias como diversidade e a pauta feminista.

Hoje se fala muito sobre a importância de botar pessoas negras, de pautar a negritude também. Posso também falar sobre a importância de pensar nos trabalhadores e de pensar em novos direitos. Hoje a gente fala sobre a escala “6 X 1”, dentro do Congresso. (Essa pauta) foi puxada por uma deputada trans, a Érika Hilton (PSOL-SP).

Claro, tem todo um movimento por trás dela. Mas acredito que esse momento social que a gente está vivendo hoje é um movimento onde essas “minorias” entre aspas, que são historicamente segregadas, estigmatizadas, estão vendo que é hora de estar na política debatendo junto com todas essas outras pautas que a esquerda sempre teve.

Critico muito quem acredita que pautas identitárias são, sei lá, minoritárias. Não precisam ser debatidas. Tenho muito essa leitura de que o que a gente vive hoje é uma reação à nossa tomada de direitos. Esses movimentos de agressão às mulheres estarem se organizando para nos violentar é uma reação ao fato de que, há alguns anos, as mulheres têm tomado a liberdade de se separar, de dizer não, de trabalhar, de estar na política. Muitas coisas que a gente tem se colocado.

Li uma matéria que falava sobre o ressentimento masculino que está gerando esses grupos. É um sentimento de que os homens não estão avançando. As mulheres estão avançando, conquistando novos direitos, novos espaços e os homens permanecem no mesmo lugar. Acredito muito nessa reação. Acredito que exista esse grupo que é progressista, mas que não ache necessário falar sobre isso.

Acho que é esse ponto. Como que a gente enfrenta isso? Conversando com o companheiro e falando: “isso não afeta a sua vida, mas afeta a vida de muita gente”. Inclusive, pensando nas pessoas trans, a porcentagem que morrem antes dos 30 anos, que não conseguem acessar o mercado de trabalho, que permanece na prostituição sem querer é gigantesca. “Não afeta minha vida”. Mas mesmo assim eu preciso me importar com isso, porque é a vida de outras pessoas.

A gente tem dialogado sobre como, para nós, têm sido surpreendentes as pesquisas que colocam o Flávio (Bolsonaro) tão a frente. Mas é muito difícil para a gente, que está na outra bolha, recebendo outras informações, mensurar como isso tem chegado para outras pessoas. A informação de que o filho do Bolsonaro vai ser “o novo presidente”. Acredito que esse governo “Lula três”, tem sido talvez o melhor. Ele está remontando tudo que foi destruído, inclusive fazendo melhor. Acredito também que o posicionamento dele em relação à soberania nacional e o posicionamento de, até uma questão subjetiva, de fazer a gente voltar a ter orgulho no nosso país, em vários setores. Acredito que isso tem ganhado muito. Só que o nosso desafio é fazer com que as pessoas saibam, entendam isso. Inclusive combater “fake news”. Toda essa chuva de informações que vem de formas contraditórias.

Acho que a primeira coisa que a gente tem que aceitar é que de fato, não tá fácil viver, pensando no sistema capitalista que vai cada vez mais afunilando e a coisa vai ficando cada vez mais difícil. É complexo mesmo. Acredito também que, por outro lado, foram anos de uma campanha contra o PT, contra a esquerda no Brasil, o Lula. Acho que o Brasil poderia estar nas suas plenas condições e o melhor país do mundo, que ainda assim haveria um imaginário social de que o Brasil está ruim.

É desafiador pra caramba entender como é que a gente faz para as pessoas saberem que não está assim. Acho que todos nós, parlamentares, estão tentando fazer uma comunicação mais assertiva, mais acessível. Por outro lado, eu vejo, por exemplo, o movimento dos postos de combustíveis, que mesmo a Petrobrás diminuindo o valor, não diminui na ponta.

Qual é a impressão que causa para a população?: é que o governo Lula aumentou o valor do combustível. Acho que são várias frentes que atuam para que pareça que o governo Lula não está indo bem.

BFC: eleições 2026

Bia: Sim (sou pré-candidata a deputada estadual). A vida me levou a ter muito explicitamente, por estar sozinha também no Parlamento, a bandeira do feminismo. Por uma questão de sobrevivência do meio ambiente que a gente tem tentado levar ao máximo, porque já não é mais uma escolha. E fazer as coisas acontecerem de uma forma sustentável. A cultura, a juventude, para que seja possível pensar em um futuro. E a educação, que tem sido a minha bandeira já há muitos anos e que aqui, especificamente no Paraná, tem sido muito atacada com um projeto neoliberal. A gente já vem vendo acontecer da direita atacar a educação exatamente porque não quer pessoas pensantes e que sejam críticas ao governo e esse a todo esse sistema que nos leva à desigualdade que a gente vive.

Venho para essa pré-candidatura depois de muita conversa com o meu partido. Depois de ter sido convocada, mesmo porque há um espaço muito grande hoje no cenário estadual, para que a gente se coloque. A gente precisa garantir deputados estaduais qualificados, assim como os federais, no Senado. Precisamos de uma frente muito ampla e muito combativa para, inclusive, ajudar na governabilidade do presidente Lula.

BFC: pós-Lula

Bia: acredito que (a esquerda) tem se preparado. Não acredito que exista um nome agora. Ninguém consegue apontar um nome específico que poderá substituir Lula e Haddad por exemplo. Temos outros nomes, inclusive de outros partidos, que poderiam estar nessa frente. Acredito que vai ser desafiador – e por isso mesmo existe uma preocupação, inclusive do presidente Lula – de renovar os quadros, ter novas lideranças, conseguir colocar a juventude no poder para que haja a certeza de continuidade.

Claro que para nós dá uma insegurança. Para nós, da esquerda do Brasil, que sempre vemos o Lula como uma liderança possível para se eleger. Os próximos anos vão ser de muito desafio e espero que isso seja central. Para além da governabilidade. Mas a gente garantir que o país não caia novamente na extrema-direita por falta de opção. Até porque a extrema-direita está com várias novas lideranças possíveis para lançar. Eles estão pensando nisso. Então, a gente também precisa pensar.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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