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Pressionar o Senado pelo fim da escala 6×1 e uma sugestão de como avançar na redução da jornada

Foto: Sindifes

A grande vitória conquistada pelos trabalhadores na Câmara dos Deputados, com a aprovação do fim da escala 6×1 com redução de jornada das atuais 44 horas semanais para 40h sem redução salarial, corre o sério risco de ser implodida no Senado.

Para anular os efeitos positivos da redução da jornada de trabalho, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, apresentou a PEC da Escala 7×0, um novo modelo de jornada de trabalho flexível, negociada diretamente entre o trabalhador e o patrão, com contrato por hora e remuneração proporcional ao tempo trabalhado. É a precarização total e um imenso retrocesso às relações de trabalho como existia no Século 19.

A extrema direita bolsonarista e os representantes das elites do atraso não aceitam que os trabalhadores tenham a ampliação do tempo livre, descanso, saúde e melhoria das condições de vida. Com essa manobra e a colaboração do presidente Davi Alcolumbre, barraram a tramitação da redução da jornada no Senado – a mesma Casa que tentou passar a “PEC da Bandidagem e aprovou a redução das penas dos golpistas de 8 de janeiro.

Cabe urgentemente agora aos trabalhadores e às forças democráticas pressionar os senadores a referendarem a PEC aprovada pela Câmara. Utilizando, por exemplo, a Plataforma Na Pressão, ferramenta desenvolvida pela CUT que possibilita pressionar cada um dos parlamentares por meio de mensagens diretas a eles por e-mail e também por mensagens nos perfis de suas redes sociais.

Foto: https://napressao.org.br/

Basta acessar o link napressao.org.br e clicar em pressionar.

Além da pressão política sobre os parlamentares, que deu resultados positivos para demolir a “PEC da Bandidagem”, e da pressão do movimento sindical sobre o patronato em busca de acordos coletivos que reduzam a jornada, precisamos também usar a imaginação e ter a ousadia de procurar brechas e ocupar espaços que frequentamos no cotidiano para fazer essa pauta avançar na prática.

Como moradores de condomínio, frequentadores de bares e restaurantes e consumidores do comércio, podemos dar nossa contribuição. Vivenciei pessoalmente um pequeno exemplo nesta última semana, que pode ser replicado principalmente nas grandes cidades.

Na última assembleia do meu condomínio, na SQN 115 de Brasília, defendi a importância do fim da escala 6×1 e propus que os funcionários da limpeza passassem a trabalhar na escala 5x2 e jornada máxima de 40 horas semanais. A proposta foi aprovada.

O próximo passo será ampliar essa iniciativa aos condomínios vizinhos, buscando formar uma onda que se espraie por toda a cidade e transforme Brasília numa cidade livre da escala 6×1, o que é um dos eixos programáticos de minha pré-candidatura à Câmara Distrital.

É importante que todos nós nos engajemos, com todas as armas de que dispomos, na batalha pelo fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição do salário. Temos a nosso favor a ampla aceitação da população a essa proposta.

Todos os trabalhadores brasileiros precisam de “mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.

Jacy Afonso é ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, ex-presidente da CUT/DF e ex-presidente do PT/DF.

Jacy Afonso

Sindicalista e dirigente político. Ex-presidente do PT-DF, ex-diretor da CUT Nacional e do Sindicato dos Bancários do DF, com vasta atuação na defesa dos trabalhadores.

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