O monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado na sexta-feira (10), mostra que a Amazônia registrou, entre janeiro e junho de 2026, o menor volume de alertas de desmatamento dos últimos dez anos.
No período, o sistema Deter apontou a supressão de 1.295 quilômetros quadrados de vegetação nativa, desempenho 38% inferior ao observado no primeiro semestre de 2025 e o mais baixo desde o início da série histórica, em 2016. No Cerrado, a tendência também foi de queda: os alertas somaram 3.142 km², uma redução de 6% em relação ao ano anterior e o menor patamar registrado desde 2021.
Juntos, os dois maiores biomas brasileiros concentraram 4.437 km² de áreas sob alerta de supressão vegetal nos primeiros seis meses do ano. Somente em junho, a Amazônia perdeu 297 km² de cobertura florestal, enquanto o Cerrado registrou 482 km², mantendo a tendência de redução observada ao longo dos últimos anos.
O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, em declaração à Folha de S. Paulo, atribui os resultados à atuação coordenada entre União, estados e municípios, além do fortalecimento das ações de fiscalização e da implementação de políticas públicas permanentes voltadas ao combate ao desmatamento.
Na avaliação de Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, para a Folha, a retomada de programas de controle ambiental, a recomposição das estruturas de fiscalização e o aumento das punições aos responsáveis pela destruição da vegetação contribuíram para reduzir a sensação de impunidade.
Apesar do avanço, ele ressalta que o Brasil ainda figura entre os países que mais desmatam no mundo em números absolutos e considera fundamental transformar essa redução em uma tendência permanente até o fim da década.
Entretanto, análises mostram que o segundo semestre tende a ser mais crítico. A previsão de atuação do fenômeno El Niño aumenta o risco de estiagem nas regiões Norte, Centro-Oeste e parte do Nordeste, cenário que favorece tanto novos desmatamentos quanto a ocorrência de incêndios florestais.
O período entre maio e setembro concentra historicamente os maiores índices de devastação, o que deverá testar a eficácia das políticas de prevenção e combate ao fogo adotadas pelo governo federal.
Entre os estados com maiores áreas desmatadas na Amazônia aparecem Mato Grosso, Pará e Amazonas. No Cerrado, Maranhão, Tocantins e Piauí lideram os registros. O desmatamento continua sendo a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil e é considerado peça central para o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo país no Acordo de Paris.
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