Skip to content Skip to footer

STF manda bloquear mais de R$ 6 milhões de Eduardo Cunha

(Foto: Sérgio Lima/Poder360)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. A decisão, assinada em 6 de julho e tornada pública no domingo (12) após o levantamento do sigilo, integra uma investigação que apura o suposto direcionamento irregular de emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara por alguém que já não exercia mandato eletivo.

Segundo a decisão, a apuração identificou pelo menos 21 emendas, que somam R$ 6.150.378, cuja indicação teria sido atribuída de forma artificial para ocultar o verdadeiro responsável pela destinação dos recursos.

Para Dino, a prática compromete a transparência do sistema de emendas e pode ter permitido a utilização do orçamento público para atender interesses particulares ou políticos, em desacordo com as regras previstas para parlamentares em exercício.

O magistrado também relacionou o caso aos fatos investigados na primeira fase da Operação Transparência, que já resultou no bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Conforme apontado pela Polícia Federal, mensagens e planilhas encontradas no celular da servidora da Câmara Mariangela Fialek, conhecida como Tuca, indicariam que Eduardo Cunha teria atuado na articulação da distribuição dessas verbas mesmo após deixar o Congresso, em 2016.

Na avaliação de Flávio Dino, a atribuição de poder decisório sobre recursos públicos a uma pessoa sem função parlamentar pode configurar peculato-desvio, crime previsto no Código Penal. O ministro afirma que o suposto esquema teria causado prejuízo aos cofres públicos ao desvirtuar a finalidade das emendas parlamentares.

Além do bloqueio patrimonial, Dino determinou a suspensão de qualquer pagamento relacionado às emendas investigadas e autorizou o uso dos sistemas Sisbajud, Renajud e Cnib para localizar e tornar indisponíveis bens do ex-parlamentar até o valor estimado do dano.

O ministro também intimou a Câmara dos Deputados, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a cumprirem a decisão e apresentarem, em até dez dias, informações sobre as providências adotadas. Hugo Motta, presidente da Câmara, deverá encaminhar a documentação referente à tramitação das emendas apontadas pela Polícia Federal.

Em nota, a defesa de Eduardo Cunha negou qualquer irregularidade, afirmou que a atuação política do ex-deputado não pode ser confundida com o exercício clandestino de mandato e sustentou que ele não foi previamente ouvido nem intimado no processo, tomando conhecimento da decisão apenas por meio da imprensa.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

13 jul 2026

Por que “Cabeça Dinossauro” ainda incomoda 40 anos depois?

Quatro décadas depois, o álbum mais visceral do rock nacional continua atual, provocativo e indispensável
14 jul 2026

Em livro, Moro acusou Bolsonaro de interferir para livrar Flávio do processo da “rachadinha”

Em publicação, ex-juiz da Lava Jato relatou que o ex-presidente demonstrou completa falta de compromisso com a agenda de combate à corrupção
14 jul 2026

Atacante diz que confusões de Trump atrapalharam seleção dos EUA na Copa

Decisão da FIFA de cancelar suspensão de jogador causou forte indignação no cenário do futebol mundial

Deputado do PL é condenado pela Justiça a indenizar o PT por danos morais

Magistrada apontou que bolsonarista Paulo Bilynskyj (PL-SP) fez acusações graves sem apresentar qualquer tipo de prova
14 jul 2026

Congresso entra na última semana antes do recesso sem votar PEC 6X1 e PL da Misoginia

Pautas de grande apelo popular, como a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, seguem na “gaveta”
14 jul 2026

Técnica de enfermagem é presa após tentar sair com recém-nascida escondida em bolsa

Defesa de Auricélia Rocha alega esquizofrenia, mas polícia sustenta que investigada agiu de forma consciente e sem comparsas

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário