Em um livro lançado em 2021 intitulado “Contra o Sistema da Corrupção”, o ex-juiz Sérgio Moro (PL-PR) acusou o então presidente Jair Bolsonaro (PL) de interferir para livrar o filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do processo que apurava a prática de “rachadinha” em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando o hoje pré-candidato do PL à Presidência ainda era deputado estadual fluminense. Três anos depois, Moro é pré-candidato ao governo do Paraná pelo PL do mesmo Flávio Bolsonaro, com o aval direto do senador. O fato vem sendo resgatado pelo PT paranaense para demonstrar a falta de coerência de Moro e a contradição entre o discurso anticorrupção do ex-juiz e sua prática política.
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Moro deixou o Ministério da Justiça do governo bolsonaro em abril de 2020, acusando o então presidente de usar seu mandato para interferir diretamente nos órgãos de controle e na Polícia Federal com o objetivo de blindar seu filho. Investigações do Ministério Público do RJ revelaram que o esquema da “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj desviou cerca de R$ 6,1 milhões dos cofres públicos. Em julho de 2019, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, atendeu pedido da defesa de Flávio e suspendeu todos os processos envolvendo o caso.
No livro, o ex-juiz da Lava Jato relatou que o ex-presidente demonstrou completa falta de compromisso com a agenda de combate à corrupção sempre que as investigações se aproximavam de sua família. Moro apontou que Bolsonaro rejeitou recorrer contra a decisão de Toffoli que livrava o filho. “Não se poderia admitir a destruição do sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro com o propósito de salvar da lei o filho de alguém, mesmo sendo ele o filho do presidente da República”, afirmou.
O ex-juiz relata que, após Toffoli paralisar as investigações com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o ex-presidente exigiu que o Ministério da Justiça não se manifestasse contra a decisão. “Se não vai ajudar, então não atrapalhe”, disse Bolsonaro, segundo Moro conta no livro.
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