A prisão de Francisco Eronildo Feitosa Rodrigues, na segunda-feira (3), encerrou a busca pelo coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal, condenado a 54 anos por envolvimento em um esquema de propinas. Ele foi localizado pela Polícia Militar de Goiás em uma área rural entre Girassol e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
Embora estivesse sendo procurado para começar a cumprir a pena, Feitosa continuava incluído na folha de pagamento do governo distrital. Informações públicas sobre os vencimentos apontam que o coronel recebeu, em 2026, remuneração líquida mensal próxima de R$ 25 mil, sem indicação de função adicional exercida no período.
Os depósitos não ficaram restritos ao pagamento habitual da reserva militar, já que, em junho, houve um acréscimo de cerca de R$ 15 mil. A parcela foi classificada como eventual, categoria utilizada pela administração pública para registrar benefícios como férias, décimo terceiro salário e diárias.
Quando passou à inatividade, em fevereiro de 2018, o oficial recebeu mais de R$ 539 mil líquidos da corporação. Desse total, aproximadamente R$ 200 mil correspondiam a férias indenizadas, R$ 255 mil a licenças especiais acumuladas e R$ 70 mil a uma ajuda de custo.
O nome de Feitosa ganhou projeção em novembro de 2017, quando ele se tornou o primeiro coronel em atividade preso na história da PMDF, durante a Operação Mamon. A investigação identificou exigências de dinheiro em contratos destinados ao conserto de viaturas, além de manobras para contornar regras de contratação pública.
Condenado em 2021 por concussão e associação criminosa, o militar recebeu inicialmente uma sentença de 73 anos, reduzida pela Justiça distrital para 54 anos em 2023. Na propriedade onde ocorreu a captura, policiais encontraram um revólver e duas espingardas acompanhadas de luneta e silenciador, enquanto a PMDF ainda não explicou a manutenção dos pagamentos durante a fuga.
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