O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer ataques contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista publicada no domingo (2) pelo jornal argentino La Nación. O líder do país vizinho retomou as condenações anuladas da Operação Lava Jato e acusou o brasileiro de interferir na política latino-americana, sem apresentar provas.
Ao comentar a reação do governo brasileiro, Milei sustentou que Lula teria sido beneficiado por questões processuais. As condenações do petista, porém, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. A Corte concluiu que os processos tramitaram em uma jurisdição inadequada e reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro.
O argentino também afirmou, sem evidências, que Lula atuaria ao lado de governos estrangeiros e de integrantes da oposição argentina para influenciar os rumos políticos da região. Segundo Milei, essa suposta articulação envolveria México, Espanha, setores progressistas dos Estados Unidos e representantes do kirchnerismo.
A nova declaração ocorre pouco mais de uma semana depois da participação de Milei na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência. Durante o evento, realizado em 25 de julho, em São Paulo, o argentino atacou Lula, criticou o socialismo e também dirigiu uma ofensa ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A sequência de declarações abriu uma crise diplomática entre Brasil e Argentina. O Itamaraty convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos, enquanto Lula reagiu com ironia ao ser questionado pela imprensa.
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a postura de Milei como lamentável e avaliou que a interferência na eleição brasileira prejudica a própria Argentina. Dario Durigan e Guilherme Boulos também criticaram o argentino. Já Flávio Bolsonaro elogiou a participação de Milei e argumentou que o discurso teve como alvo o comunismo, não o Brasil.
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