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Mendonça confirma encontro reservado com Vorcaro e nega pedido de intervenção

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou ter recebido Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em março de 2025, no Instituto Iter, em São Paulo. O encontro, que teria durado cerca de duas horas, veio a público após mensagens e áudios revelarem uma articulação destinada a aproximar o banqueiro do magistrado em meio aos problemas enfrentados pela instituição financeira no Banco Central.

O material foi encontrado no celular de Vorcaro e divulgado em investigação do jornalista Paulo Motoryn, do ICL Notícias. Segundo a apuração, a conversa reservada ocorreu em 14 de março de 2025, depois de semanas de contatos conduzidos pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

As comunicações indicam que Ciro e Cezinha atuaram como intermediários para abrir um canal entre o então controlador do Master e o integrante do Supremo. Em uma das mensagens, o advogado enviou ao banqueiro uma fotografia ao lado de Mendonça durante uma passagem por uma alfaiataria e informou que trabalhava para tornar a aproximação possível.

Áudios divulgados pela reportagem mostram ainda que Ciro havia apresentado ao ministro informações sobre as dificuldades do Banco Master perante o Banco Central. O advogado relatou a Vorcaro que Mendonça demonstrara interesse pelo assunto e que havia sinalizado disposição para receber pessoalmente o empresário.

Mensagens revelam articulação para aproximar Vorcaro do ministro

De acordo com as conversas, o ministro já teria conhecimento do impasse envolvendo a instituição financeira antes da reunião. Cezinha de Madureira, parlamentar ligado à Assembleia de Deus do Ministério de Madureira, também teria abordado o tema anteriormente com Mendonça e participado da preparação do encontro.

Após a divulgação do caso, Mendonça reconheceu que recebeu Vorcaro no Instituto Iter, entidade da qual ocupa a presidência do conselho curador. Segundo informação publicada pela jornalista Roseann Kennedy, do Estadão, o ministro classificou a agenda como institucional e negou que o banqueiro tenha solicitado qualquer interferência em processos ou procedimentos ligados ao Master.

O conteúdo obtido no celular não revela qual resultado Vorcaro esperava alcançar com a reunião. Também não há, no material divulgado, prova de que Mendonça tenha pressionado o Banco Central, interferido em decisões do órgão regulador ou tomado alguma providência para favorecer o banco.

A repercussão do episódio está relacionada principalmente ao esforço dos intermediários para viabilizar o contato e ao fato de a situação do Master ter sido discutida antes da agenda. A sequência das mensagens registra a atuação de Ciro e Cezinha, o conhecimento prévio atribuído ao ministro e a posterior realização da reunião, mas não comprova intervenção de Mendonça em favor de Vorcaro.

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