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Caso Master: Mendonça mantém Ciro sob sigilo e relatório sobre Toffoli sem providências

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou sem providências durante cerca de sete meses um relatório da Polícia Federal com suspeitas sobre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, além de manter sob sigilo a investigação que envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no caso Banco Master. As decisões ganharam atenção após o presidente da Corte, Edson Fachin, solicitar a divulgação de procedimentos ligados ao conglomerado financeiro.

Produzido a partir do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025, o relatório da PF analisa possíveis conexões financeiras entre o banqueiro e Toffoli. Segundo a revista piauí, os investigadores levantaram a hipótese de o ministro ser o beneficiário final ou verdadeiro controlador do fundo Arleen, embora ressaltem que os elementos reunidos não permitem uma conclusão definitiva.

O fundo recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro e figurava entre os sócios do resort Tayayá, empreendimento no Paraná associado à família de Toffoli. Posteriormente, o Arleen foi transferido para Alberto Leite, amigo do magistrado, teve suas regras modificadas e enviou ativos à holding Egide I, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.

Na avaliação da PF, a sequência pode indicar o emprego de terceiros e empresas no exterior para esconder os responsáveis pelo patrimônio. O documento foi encaminhado ao Supremo para a adoção de medidas e a eventual autorização de novas diligências, exigência necessária quando as suspeitas alcançam integrantes da Corte.

A apuração também encontrou referências à participação de Toffoli em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro que terminou de maneira favorável ao Master. Mensagens recuperadas do aparelho mostram integrantes do banco acompanhando a votação e Vorcaro atribuindo ao ministro uma mudança de voto.

Foram identificados pelo menos 12 possíveis encontros entre Toffoli e Vorcaro em São Paulo, Brasília e no Paraná, além de 17 chamadas pelo WhatsApp em 2024. Os investigadores também localizaram contratos entre o banqueiro e a advogada Roberta Rangel, então esposa do ministro.

André Mendonça: além de Toffoli e banco Master, Ciro Nogueira sob sigilo

Mendonça também preservou a confidencialidade do procedimento que investiga a relação de Ciro Nogueira com Vorcaro. Conversas encontradas pela PF mostram o banqueiro tratando o senador como amigo próximo e acompanhando a apresentação da chamada emenda Master no Congresso.

A proposta aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos por depositante, medida que poderia beneficiar bancos dependentes da venda de CDBs. A PF apura se a atuação parlamentar envolveu alguma contrapartida ilegal.

Documentos ainda mencionam viagens, hospedagens e supostos pagamentos de R$ 500 mil, enquanto outra linha investigativa cita repasses de até R$ 6 milhões. Ciro nega irregularidades, e as suspeitas não representam condenação.

À piauí, Mendonça declarou que o relatório sobre Toffoli não foi direcionado especificamente a ele e, por essa razão, não haveria medida a tomar. Com o sigilo mantido, parte relevante das apurações continua distante do conhecimento público.

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