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Dino derruba sigilo e expõe bastidores milionários de “Dark Horse”

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou no domingo (13) o sigilo da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos e suas conexões com a produtora de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A liberação alcança documentos reunidos pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens e busca, segundo o magistrado, assegurar tratamento igualitário aos investigados.

Na decisão, Dino sustentou que empresários, políticos, agentes públicos e integrantes do Judiciário submetidos a circunstâncias semelhantes devem receber o mesmo tratamento quanto à divulgação de nomes, dados financeiros e conversas recolhidas pelas autoridades.

O ministro também apontou o fortalecimento da hipótese de uma estrutura organizada para direcionar e possivelmente desviar verbas públicas.

A apuração acompanha recursos provenientes de emendas parlamentares federais e contratos mantidos pela Prefeitura de São Paulo. Uma das linhas investigativas examina possíveis relações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e cita o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como eventual liderança do grupo investigado, suspeita que ainda não foi comprovada.

O caso possui duas frentes principais: uma concentra-se no possível emprego irregular de dinheiro público, enquanto outra procura esclarecer o financiamento privado de “Dark Horse”. Nesta segunda vertente, os investigadores analisam repasses de R$ 62,8 milhões atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Produtora diz desconhecer origem dos recursos

Karina Gama, responsável pela Go Up Entertainment, afirmou à CNN que não sabia de onde vieram os recursos usados na produção do longa. Segundo a empresária, o projeto teria inicialmente o fundo Heavengate como único investidor, mas ela teria participado apenas como contratada e não integraria a estrutura do fundo.

A produtora informou que o filme consumiu US$ 13,3 milhões, abaixo do orçamento inicial de US$ 24 milhões, posteriormente revisto. Karina reconheceu que Flávio Bolsonaro apresentou o projeto a Vorcaro, mas declarou desconhecer qual parcela do investimento teria sido bancada pelo então controlador do Master.

Mensagens divulgadas na sexta-feira (11) mostram Flávio, filho de Jair Bolsonaro e candidato à Presidência, solicitando recursos ao banqueiro para viabilizar a obra. Documentos da Polícia Federal relacionados a essa parte da investigação também tiveram o sigilo derrubado na semana passada.

Karina tornou-se alvo de uma operação da PF que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão na quinta-feira (10), em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os endereços vistoriados estavam sedes do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades vinculadas à empresária.

Falhas em apreensões e repasse milionário

Pelo menos 13 equipamentos recolhidos em locais ligados a Karina foram inicialmente recusados pelo Instituto de Criminalística paulista por falhas nas embalagens. Apesar de intactos, os lacres deixavam aberturas que poderiam permitir a conexão de cabos e eventual acesso ao conteúdo de celulares, notebooks e pen drives.

Os aparelhos foram devolvidos para novo acondicionamento, procedimento concluído sete dias depois, antes do reenvio à perícia. A medida foi adotada para preservar a cadeia de custódia e evitar questionamentos sobre a integridade das provas.

Outro ponto revelado pelos documentos envolve R$ 3 milhões transferidos pelo ICB à Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. Os três pagamentos ocorreram entre junho e julho de 2025, durante a execução de um contrato de R$ 12 milhões relacionado ao programa WiFi Livre SP.

Na época, a empresa tinha como sócio Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado por setores de inteligência policial como possível integrante relevante do PCC. A Polícia Civil passou a apurar alterações societárias feitas após a prisão de Alex, diante da suspeita de ocultação de pessoas e proteção patrimonial.

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