Quase 2 milhões vivem de aplicativos, mas ganham menos por hora
Cerca de 2 milhões de brasileiros trabalharam por meio de plataformas digitais em 2025, principalmente nos serviços de transporte e entrega. Divulgado na sexta-feira (4), o levantamento experimental do IBGE mostra que esses profissionais enfrentaram jornadas maiores, menor remuneração por hora e pouca proteção previdenciária.
O grupo somava 1,959 milhão de pessoas com 14 anos ou mais, equivalente a 1,9% da população ocupada no país. Desse total, aproximadamente 1,2 milhão utilizava aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e 99, enquanto 232 mil trabalhavam exclusivamente com plataformas de táxi.
As entregas de alimentos e produtos reuniam 376 mil trabalhadores, ou 19,2% do contingente pesquisado. Outros 313 mil atuavam em serviços gerais ou especializados oferecidos por plataformas, incluindo atividades de designers, tradutores e profissionais da telemedicina.
Quando considerados somente os brasileiros que tinham os aplicativos como trabalho principal, o número chegou a 1,8 milhão. O resultado representa crescimento de 9,1% em relação a 2024 e de 36,8% na comparação com 2022, enquanto o total de entregadores avançou 18,6% no último ano.
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A falta de outra oportunidade de emprego apareceu como principal motivo para motoristas e entregadores ingressarem nesse mercado. O perfil era predominantemente masculino, com 84,4% de homens, e quase metade dos trabalhadores tinha entre 25 e 39 anos.
Embora o rendimento mensal médio tenha alcançado R$ 3.147, valor semelhante ao dos demais trabalhadores do setor privado, a jornada semanal chegou a 44,7 horas. Com isso, o ganho médio ficou em R$ 16,20 por hora, 12% abaixo dos R$ 18,40 recebidos pelos profissionais não vinculados a aplicativos.
A informalidade atingia 72,1% do grupo, e apenas 34% possuíam cobertura previdenciária. Segundo o analista Gustavo Geaquinto Fontes, em depoimento à Agência Brasil, a classificação como autônomo não elimina a dependência das plataformas, que controlam preços, prazos e formas de pagamento, questão presente no debate sobre a uberização analisado pelo Supremo Tribunal Federal.
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