Ditadura vira jogo de cartas com Eunice Paiva, Herzog, Brizola e Marighella
Um jogo de cartas que transforma episódios da ditadura militar brasileira em uma experiência de estratégia e reflexão deve chegar ao público em novembro, após concluir uma campanha de financiamento coletivo. Criado pelo estúdio Tijolo, o Censura percorre acontecimentos ocorridos entre 1964 e 1985 e reúne personagens como Eunice Paiva, Vladimir Herzog, Leonel Brizola, Therezinha Zerbini, Ziraldo e Carlos Marighella.
O projeto nasceu em 2025, quando os integrantes do estúdio passaram a conversar com professores do ensino médio durante a apresentação de outro jogo histórico, Imperialismo: América, lançado em março e dedicado às relações dos Estados Unidos com a América Latina durante a Guerra Fria. Segundo o desenvolvedor e produtor Renato Sasdelli, as sugestões dos educadores ajudaram a direcionar a criação de uma alternativa mais acessível, com preço previsto de R$ 100.
Além de Sasdelli, a Tijolo reúne o designer de games Alex Olteanu e o designer gráfico Max Duarte, com colaboração do professor Vitor Soares, responsável pelo podcast História em Meia Hora. Durante o desenvolvimento, o grupo buscou equilibrar entretenimento e informação histórica, evitando que a dinâmica do jogo diminuísse a gravidade da repressão e das violações ocorridas durante o regime militar.
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Indicado para maiores de 14 anos, Censura permite partidas com até quatro participantes e também conta com uma modalidade individual. A dinâmica utiliza 44 cartas organizadas cronologicamente, passando pela criação do Serviço Nacional de Informações, em 1964, pelo AI-2, de 1965, e pelo AI-5, decretado em dezembro de 1968.
O objetivo dos jogadores é acumular forças suficientes para enfrentar e derrubar o regime autoritário, recorrendo também a cartas de luta e personagens ligados à resistência e à vida política brasileira. Para construir a identidade visual, Max Duarte buscou referências em artistas como Ziraldo, Millôr Fernandes, Henfil e Laerte, além da estética tropicalista presente em trabalhos de Rogério Duarte e Antonio Dias.
Antes do lançamento, o projeto passou por testes com jogadores em eventos especializados, entre eles o Diversão Offline, realizado em julho, em São Paulo. A recepção positiva, segundo os criadores, reforçou a proposta de usar o formato dos jogos para aproximar principalmente os mais jovens de acontecimentos decisivos da história recente do país.
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