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Bispos católicos citam Papa em manifesto sobre eleição: “não é justo permanecer neutros”

Um grupo de bispos da Igreja Católica divulgou, na quinta-feira (22) uma carta alertando para os riscos à democracia brasileira no segundo turno das eleições presidenciais deste ano. O manifesto, intitulado “Carta de bispos católicos ao povo de Deus diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026”, foi assinada 47 bispos e arcebispos de diversas dioceses.

O texto não cita nominalmente os candidatos, mas faz alusões claras a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como uma ameaça para o futuro do País. Argumenta que o cenário é “muito grave” e que uma das candidaturas “ameaça frontalmente diversos pontos centrais da Doutrina Social da Igreja (DSI), a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”. Cita o papa Leão XIV para justificar a tomada de posição, dizendo que há situações em que “não é justo permanecer neutros”.

Submissão e conspiração

No documento, os líderes religiosos alertam sobre as posições históricas defendidas pelo bolsonarismo, como a oposição ao fim da escala 6×1 e a defesa de propostas de salário por hora. Afirma que o grupo político de Flávio promete “submissão do Brasil aos Estados Unidos”, e participou de “conspiração para taxar produtos brasileiros”, defendendo intervenção estrangeira e entrega das terras raras.

Também lembra que o partido de Flávio é historicamente contrário a programas sociais de combate à pobreza, em contradição com a opção preferencial pelos pobres. Promete liberar amplo acesso a armas como no governo do pai. Nega a crise climática e quer continuar “políticas de devastação”.

O candidato é filho de presidente “condenado e preso por atentar contra a democracia”; fez declarações de ameaça à ordem constitucional; e abre o risco de usurpação do poder com maioria no Congresso e STF.

Democracia

Sobre a candidatura de Lula, os bispos defendem que, “embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e atuou dentro dos limites da ordem democrática”. Diz que “gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”.

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