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Brasil já reduziu a jornada e não teve aumento significativo do desemprego, afirma pesquisa

A redução da jornada semanal de 48 para 44 horas, estabelecida pela Constituição de 1988 no Brasil, não provocou aumento significativo do desemprego entre os trabalhadores afetados, segundo pesquisa divulgada pela Folha de S. Paulo sobre os efeitos da medida do fim da escala 6×1, cuja emenda foi promulgada na sexta-feira (16), no Congresso, com a presença do presidente Lula.

Para avaliar as consequências da alteração, pesquisadores compararam empregados que tiveram o expediente encurtado com aqueles que já cumpriam 44 horas semanais. O resultado não apontou crescimento do desemprego no primeiro grupo e identificou uma diminuição na probabilidade de saída do mercado de trabalho.

Embora a remuneração mensal tenha recuado aproximadamente 2%, a redução do tempo dedicado ao emprego foi proporcionalmente maior, elevando o valor recebido por hora. A análise também indica que os custos adicionais das empresas não foram integralmente transferidos aos preços, permitindo ganho real na remuneração por hora trabalhada.

O precedente histórico, porém, não encerra a discussão sobre os efeitos econômicos da nova mudança, porque as condições atuais diferem das observadas nos anos 1980. Naquela ocasião, o corte ocorreu imediatamente, enquanto a emenda prevê uma transição de 14 meses até a redução final da jornada.

Uma simulação do Ibre/FGV para uma proposta anterior, que previa passar de 44 para 36 horas semanais, estimou queda de 6,2% no Produto Interno Bruto. Essa projeção não equivale a uma previsão de desemprego em massa nem corresponde automaticamente às regras promulgadas, mas aponta possíveis respostas empresariais ao encarecimento da hora trabalhada.

Entre as reações consideradas estão investimentos em automação, redução de novas contratações e substituição de funcionários por outros com salários menores, sobretudo em setores dependentes de pessoal. A avaliação dos impactos também envolve benefícios sociais, como maior convivência familiar, além da distribuição dos custos entre empresas, consumidores e trabalhadores durante a adaptação.

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