Eduardo Bolsonaro xinga o pai após ser chamado de “imaturo”
A crise política que ronda a família Bolsonaro ganhou um novo capítulo nesta semana. O relatório final da Polícia Federal, que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), trouxe à tona conversas privadas entre pai e filho marcadas por tensão, palavrões e cobranças.
O motivo da briga foi uma entrevista concedida por Jair Bolsonaro ao portal Poder360, em 15 de julho. Na ocasião, o ex-presidente comentou que, apesar de já ter 40 anos, Eduardo “não é tão maduro assim” para a política, ainda que acerte “90% das vezes”. A frase caiu como uma bomba no núcleo familiar.
Minutos depois da entrevista, Eduardo usou o WhatsApp para disparar mensagens em tom agressivo contra o pai. Em caixa alta, o deputado chamou Bolsonaro de ingrato e usou palavrões pesados, reclamando que estava sendo “jogado para baixo” justamente no momento em que buscava articular apoio político.
O bate-boca seguiu com críticas diretas. Eduardo chegou a dizer que gostaria de ser visto pelo pai “como ele enxerga Michel Temer”. No dia seguinte, mais calmo, mandou novas mensagens reconhecendo que havia “pegado pesado” e pediu desculpas: “estava puto na hora”, escreveu.
A troca de farpas não ficou restrita à família. Aliados também se manifestaram. O pastor Silas Malafaia, amigo próximo de Bolsonaro, enviou mensagem dizendo que o ex-presidente havia cometido um “erro estratégico grave” ao expor o filho daquela forma. Para ele, Eduardo estava fazendo um trabalho importante nos Estados Unidos em articulação com assessores ligados a Donald Trump, e a crítica pública só enfraquecia essa atuação.
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De fato, a movimentação internacional do deputado passou a chamar atenção das autoridades brasileiras. Desde março, ele está nos EUA articulando sanções contra integrantes do Judiciário brasileiro, em especial o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF a abertura de inquérito para investigar possíveis crimes, como obstrução de investigações e até atentado contra o Estado Democrático de Direito.
A PF destacou ainda que Eduardo teria defendido, em reuniões em Washington, a aplicação da chamada Lei Magnitsky contra Moraes, pedindo bloqueio de bens e sanções financeiras. O deputado também teria relatado a autoridades americanas que parte do patrimônio da família do ministro viria da atuação de sua esposa como advogada, numa tentativa de reforçar o pedido de punição.
Em resposta ao indiciamento, Eduardo classificou as acusações como “delírio” e disse ser “vergonhoso” o vazamento de conversas pessoais com o pai. Reafirmou que suas ações nos EUA não têm como objetivo interferir em processos judiciais no Brasil, mas sim defender a liberdade.
O episódio escancara, mais uma vez, como questões familiares e políticas se misturam no entorno de Jair Bolsonaro. O que começou com uma crítica em tom leve durante uma entrevista acabou se transformando em mais um elemento de desgaste para o ex-presidente e seu filho, que agora respondem juntos a uma série de investigações.
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