Empresários suspeitos de desvio de R$ 700 mi de aposentados citam ajuda de ex-ministro de Bolsonaro
Empresários suspeitos de descontos ilegais de mais de R$ 700 milhões de aposentados citam, em vídeo divulgado nesta segunda-feira (21), terem recebido ajuda direta do ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro, José Carlos de Oliveira (PSD-SP). De acordo com a reportagem do Estadão, câmeras de segurança colocadas na residência de um dos investigados, Anderson Cordeiro de Vasconcelos, mostram um encontro com Igor Dias Delecrode, integrantes do grupo de empresários apelidado de “golden boys”.
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Operação Sem Desconto
Tanto os empresários quanto Oliveira foram alvos da “Operação Sem Desconto”, da Polícia Federal e atualmente cumprem medidas como o uso de tornozeleira eletrônica. Antes de ser ministro, Oliveira foi presidente do INSS e diretor de benefícios do órgão.
Segundo o Estadão, as imagens são de 22 de maio de 2025, um mês depois da operação que investigou os desvios de R$ 6,2 bilhões sobre aposentadorias. Na gravação, os dois empresários contam tiveram ajuda de Wilson Roberto Gomes, pai de outro envolvido, Felipe Macedo Gomes, para conseguir o primeiro acordo para operar a “Amar Brasil Clube de Benefícios”.
“O Felipe, ele sempre bateu no peito dele que conseguiu fazer o negócio sozinho, sem ajuda de ninguém. Agora, você falou o que levou do pai dele? ‘Eu que consegui o negócio para vocês, eu que sentei lá com o Oliveira, eu que disse que podia acreditar em vocês’”, disse Delecrode.
Anderson então cita a frase que teria sido dita por Wilson Gomes: “Faz pro meu filho como se fosse pra mim”. Ele ainda disse: “Eu não sabia de nada disso, nem que ia dar um helicóptero pro ‘big boss’. Em outro trecho, eles conversam sobre como o esquema teria rendido R$ 7 milhões ao pai de Felipe.
Relação de amizade
O grupo teria sido formado a partir a da relação de amizade de Oliveira com o pai de Felipe Macedo Gomes, Wilson Roberto Gomes, conhecido como “Xixa”, e condenado por lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas.
Foi na gestão de Oliveira que Felipe Macedo Gomes conseguiu emplacar o acordo de cooperação técnica da Amar Brasil Clube de Benefícios. O termo foi assinado pelo então diretor do órgão, Edson Yamada, que é sócio de Oliveira — ambos são investigados pela PF. A entidade, sozinha, faturou R$ 324 milhões entre 2021 e 2025.
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