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Estudo identifica divergências raciais em 1.331 candidaturas

Um estudo do Instituto Dara, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apontou divergências na identificação racial de 1.331 candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Ao comparar os registros eleitorais com avaliações de fotografias, o levantamento encontrou diferenças em 36% das candidaturas autodeclaradas pretas ou pardas, levantando questões sobre o acesso ao financiamento público.

Foram examinadas 7.610 candidaturas, das quais 17% apresentaram discordância entre a declaração registrada e a classificação dos pesquisadores. Nos percentuais apresentados por partido, o União Brasil aparece com 24%, seguido de PP e Podemos, ambos com 22%, e PSTU, com 21%.

A análise foi realizada por cinco especialistas em estudos raciais, que observaram separadamente as imagens usadas nas urnas. Para registrar uma divergência, pelo menos quatro avaliadores precisavam considerar branca ou amarela uma pessoa inscrita como preta, parda ou indígena, seguindo as categorias raciais do IBGE.

Os resultados não demonstram, por si só, que os candidatos cometeram fraude, nem alteram sua autodeclaração oficial. O instituto também admite que parte das diferenças possa decorrer de falhas ou falta de atenção no preenchimento dos documentos apresentados à Justiça Eleitoral.

A identificação racial interfere no repasse de dinheiro às campanhas e no cálculo dos recursos que os partidos receberão nas eleições seguintes. Segundo as regras descritas no levantamento, candidaturas pretas ou pardas devem receber ao menos 30% dos fundos eleitoral e partidário, enquanto o registro depende da declaração do candidato, sem avaliação prévia por comissão de heteroidentificação.

Entre os deputados que buscam novo mandato, aparecem Silvye Alves (na foto acima), Elmar Nascimento e Domingos Neto, autodeclarados pardos e classificados como brancos pelos avaliadores. Altineu Côrtes, Neto Carletto e Pedro Lucas Fernandes também estão entre os casos destacados, mas eventuais punições, como cassação e responsabilização por falsidade ideológica eleitoral, dependem da comprovação de fraude pelas autoridades competentes em cada caso.

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