Flávio quer eliminar marcação que ajuda a rastrear munições desviadas
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, apoia uma proposta para acabar com a identificação obrigatória de munições compradas por órgãos de segurança pública, retirando um recurso usado para rastrear desvios. Questionado sobre essa posição em entrevista à TV Globo, no dia 16, o senador minimizou a importância do mecanismo investigativo.
A mudança integra um projeto encaminhado ao Congresso pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019 e atinge a marcação que permite identificar lotes adquiridos pelas instituições. Sem esse registro, investigadores perderiam uma ferramenta para descobrir como munições compradas pelo poder público chegaram às mãos de traficantes e de milicianos.
A dimensão do problema aparece no estudo De onde vem o tiro, produzido pelo Instituto Sou da Paz com informações extraídas de processos judiciais. Foram examinados 31.699 cartuchos associados ao Comando Vermelho, reunidos em 29 casos que abrangem o período entre 2018 e 2025, permitindo identificar parte das compras originais.
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Entre as munições brasileiras de fuzil apreendidas e vinculadas à facção, quase 52% tinham sido compradas inicialmente pelas Forças Armadas ou por instituições de segurança pública. O resultado mostra que arsenais oficiais abasteceram organizações criminosas por meio de desvios, cuja investigação depende também dos registros preservados nas munições e embalagens.
As milícias também aparecem nessa rota de abastecimento, conforme reportagem publicada pelo Intercept Brasil em 2025 sobre o Bonde do Ecko, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A apuração identificou munições provenientes de lotes adquiridos pelas polícias Civil e Militar fluminenses, pelo Exército, pela Marinha, pela Aeronáutica e por outras instituições.
Para o Sou da Paz, a resposta deve ser aumentar a identificação das munições, mantendo a ligação entre fabricação, embalagem, comercialização e comprador final. A recomendação busca facilitar o esclarecimento de homicídios e a localização dos pontos de desvio, permitindo investigar como produtos vendidos legalmente acabam utilizados por grupos criminosos.
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