Grupo restrito ligado a Hugo Motta domina verba bilionária no Congresso
Um grupo restrito de parlamentares concentrou uma parcela significativa das emendas de comissão ao Orçamento federal em 2025, revelando uma distribuição desigual de recursos dentro da Câmara dos Deputados.
Levantamento realizado pela Folha de S. Paulo com base em registros oficiais das comissões indica que sete deputados, incluindo o presidente da Casa, Hugo Motta, foram responsáveis por direcionar cerca de R$ 1,5 bilhão, o equivalente a aproximadamente 20% dos R$ 7,5 bilhões totais desse tipo de verba.
Os dados mostram que, enquanto esse pequeno grupo teve acesso a valores superiores a R$ 100 milhões cada, a maior parte dos parlamentares, mais de 400 deputados, ficou com uma média bem inferior, em torno de R$ 14 milhões. Outros 83 não registraram indicações formais, embora possam ter sido contemplados por meio de repasses vinculados às lideranças partidárias.
O destaque individual ficou com Julio Arcoverde, que liderou o volume de indicações ao longo do ano, seguido por nomes ligados às cúpulas partidárias. A concentração também envolveu lideranças de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PL, que utilizaram mecanismos internos para direcionar recursos de forma mais ampla.
A mudança nas regras de transparência, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, passou a exigir a identificação dos autores das emendas, prática que até 2024 não era obrigatória. Mesmo assim, parte dos valores ainda foi registrada em nome de bancadas ou lideranças, o que dificulta rastrear o responsável direto pelas indicações.
Nos bastidores, parlamentares apontam que houve um acordo inicial para divisão mais equilibrada, mas reconhecem que figuras com maior peso político acabariam recebendo fatias maiores. O levantamento, porém, evidencia uma diferença bem acima do esperado, gerando insatisfação interna e críticas sobre possível impacto eleitoral desses recursos, especialmente com foco nas disputas de 2026.
As emendas de comissão são indicadas pelo Legislativo, mas a liberação depende do governo federal, que tem discricionariedade para executar ou não os valores, sem possibilidade de redirecionamento.
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