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Idosos gastam até 80% da renda para não perder planos de saúde

Reajustes elevados nos planos de saúde coletivos já comprometem quase 80% da renda de alguns idosos brasileiros, que enfrentam mensalidades difíceis de sustentar sem colocar em risco o acesso a tratamentos.

O problema ganhou força em 2026 e levou a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a estudar mudanças nas regras, diante do aumento das reclamações e da falta de um teto para essa modalidade de contrato.

Em reportagem do Estadão, o engenheiro aposentado José Ricardo Auar, de 69 anos, contou que passou a pagar cerca de R$ 12 mil mensais pelo plano mantido para ele, a mulher e o filho. O valor foi alcançado após um reajuste de 49% aplicado pela Unimed Rio.

Como possui uma doença autoimune e depende da assistência médica, Auar recorreu novamente à Justiça para tentar reduzir a cobrança. A operadora não respondeu aos questionamentos.

Outro beneficiário afetado, segundo a matéria, é o psiquiatra José Chagas, de 76 anos. Cliente da SulAmérica desde 2005, ele recebeu sucessivos aumentos e agora desembolsa R$ 17 mil por mês, quantia equivalente a até 70% de seus rendimentos. Também diagnosticado com doença autoimune, Chagas teme não conseguir manter o convênio responsável por viabilizar sua medicação. A SulAmérica não comentou o caso.

Dados da ANS mostram que as notificações de consumidores com mais de 60 anos sobre reajustes em planos coletivos cresceram 47% entre 2021 e 2025. Os registros passaram de 842 para 1.238 no período. Até junho de 2026, outras 528 queixas haviam sido apresentadas.

Enquanto os planos individuais tiveram aumento limitado a 5,11% neste ano, os coletivos continuam sem teto regulatório. A ANS avalia padronizar as cláusulas de cálculo e ampliar de 29 para 400 usuários o agrupamento sujeito ao mesmo índice.

A FenaSaúde e a Abramge, representantes das operadoras, argumentam que os reajustes e a negociação direta são necessários para cobrir despesas médicas e preservar o equilíbrio dos contratos.

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