Internações de crianças disparam até 628% em cidades com mina de lítio
As internações de crianças por doenças respiratórias cresceram entre 2021 e 2025 em Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha, onde funciona a maior mina de lítio a céu aberto do Brasil. O avanço, identificado pela Repórter Brasil em dados do SUS, ocorre enquanto moradores de comunidades vizinhas à Grota do Cirilo denunciam excesso de poeira e o Ministério Público de Minas Gerais investiga possíveis danos à saúde.
Em Araçuaí, as hospitalizações de crianças de até 14 anos por asma, pneumonia, bronquite e bronquiolite aumentaram 628% no período; em Itinga, 350%. As altas superam as registradas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais e no país, mas os números, por si só, não demonstram que a mineração causou os casos.
Operada pela canadense Sigma Lithium, a mina começou a funcionar em maio de 2023, após obras iniciadas no ano anterior. Em Piauí Poço Dantas, comunidade situada a menos de um quilômetro da área minerada, famílias relatam poeira dentro das casas e agravamento de problemas respiratórios, sobretudo entre crianças.
Uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público em dezembro de 2025 apura impactos em quatro comunidades próximas. Segundo o órgão, dados de monitoramento da própria empresa apontaram concentrações anuais de partículas finas acima do limite legal em todos os pontos avaliados em 2023.
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A Sigma nega que suas atividades tenham relação com o aumento das internações e contesta a comparação entre 2021 e 2025. A mineradora atribui a elevação das partículas registrada em 2023 a um incêndio florestal e afirma que medições posteriores ficaram dentro dos limites legais.
Estudos ambientais do empreendimento previram a dispersão de poeira e possíveis efeitos sobre a saúde respiratória. Uma fiscalização estadual realizada após denúncias de moradores também registrou relatos de piora dos sintomas e apontou que a posição da mina no relevo favorece a propagação de poeira.
Além da investigação sobre a qualidade do ar, o projeto enfrenta uma disputa judicial pela ausência de consulta prévia a uma comunidade quilombola próxima. Em setembro, a Justiça Federal determinou a suspensão das licenças ambientais da Grota do Cirilo, decisão cujo cumprimento é contestado pela empresa.
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