O banco Digimais recebeu um reforço financeiro de aproximadamente R$ 2 bilhões de seu grupo controlador em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal e às negociações para uma possível venda da instituição.
O aporte ocorreu após a deflagração da Operação Miragem, que apura suspeitas de fraudes contábeis e outras irregularidades envolvendo a administração do banco. Os recursos foram injetados pela Digimais Participações, empresa ligada à B.A. Empreendimentos Participações, holding pertencente ao Grupo Record.
Segundo informações de pessoas envolvidas nas tratativas, parte do montante foi formada por Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo próprio controlador, além de valores captados junto ao mercado por meio desses títulos.
A capitalização integra o processo de negociação com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por coordenar a busca de uma solução para a instituição financeira. A expectativa é que um novo aporte possa ser realizado caso as conversas para a venda ao BTG Pactual não avancem nos próximos dias.
As duas instituições assinaram um acordo de intenção de compra em abril, mas a conclusão da operação ainda depende de etapas previstas pelo regulamento do FGC.
Entre elas está a realização de um processo competitivo, semelhante a um leilão, destinado a escolher a proposta que represente menor custo para o fundo. O BTG informou que sua oferta continua válida, mas ressaltou que o procedimento ainda não foi iniciado oficialmente e, por isso, não há definição sobre o desfecho da negociação.
O Digimais é investigado por supostamente apresentar informações financeiras incompatíveis com sua real situação patrimonial, além de operações consideradas irregulares pela legislação bancária. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra dirigentes, conselheiros e empresas ligadas ao banco, determinou o bloqueio de bens que pode chegar a R$ 670 milhões e autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
Questionado sobre o caso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, evitou comentar detalhes da investigação e afirmou que o eventual processo competitivo é conduzido exclusivamente pelo FGC. O dirigente também voltou a diferenciar apurações criminais de uma possível liquidação de instituições financeiras, ressaltando que o encerramento das atividades de um banco ocorre apenas quando não há mais condições de cumprir seus compromissos com clientes e credores.
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