Lula pagou até 43% mais que Flávio por anúncios na Meta, aponta estudo
A campanha de Lula pagou entre 33% e 43% mais que a de Flávio Bolsonaro para alcançar mil pessoas com anúncios no Facebook e Instagram durante o primeiro turno de 2026, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (23). Realizado pelo NetLab, da UFRJ, com o International Panel on the Information Environment (IPIE), o levantamento encontrou indícios de desigualdade, mas não determinou suas causas.
Noticiada pelo jornal O Globo, a pesquisa examinou 7.677 anúncios veiculados entre 16 de agosto e 4 de outubro, disponíveis na Biblioteca de Anúncios da Meta. A amostra reuniu publicações de 19 páginas associadas a 11 candidaturas à Presidência, permitindo comparar despesas e alcance das peças publicitárias.
Os pesquisadores utilizaram quatro modelos estatísticos para considerar fatores como estratégias eleitorais, características do público e distribuição geográfica dos anúncios. Três apontaram diferenças estatisticamente significativas contra Lula, de 33%, 39% e 43%, enquanto o quarto registrou uma distância de 10%, sem significância estatística.
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A falta de informações completas, entretanto, impediu estabelecer se os resultados decorreram do funcionamento da plataforma ou das escolhas das campanhas. Em 52% dos anúncios analisados, os gastos apareciam apenas no intervalo entre zero e 99 reais, dificultando calcular os valores efetivamente desembolsados pelos respectivos responsáveis pela contratação.
O estudo também apontou cumprimento integral de somente três dos nove requisitos de transparência eleitoral examinados, além de lacunas nos dados sobre segmentação. Sem detalhes sobre interesses, comportamentos e públicos personalizados, os pesquisadores afirmam que uma auditoria independente não consegue reconstruir todas as condições dos leilões publicitários realizados pela empresa.
A Meta contestou a análise e afirmou que aplica as mesmas regras a todos, sem definir preços pela identidade ou posição política dos anunciantes. Segundo a companhia, estratégias e concorrência explicam variações nos custos, enquanto comparações baseadas em faixas de gastos geram conclusões equivocadas; eventuais diferenças no segundo turno dependerão de nova investigação.
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