Denúncia à ONU aponta suspeita de proteção de Flávio Bolsonaro a milícias
Uma denúncia encaminhada à ONU relaciona a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa de um policial acusado de matar uma criança a suspeitas de proteção política às milícias fluminenses. Segundo o ICL Notícias, o material deverá ser examinado em dezembro, em Genebra, durante reuniões sobre comunicações recebidas pela organização internacional.
O caso envolve Ana Clara Machado, morta aos cinco anos por um disparo de fuzil em Niterói, em 2021, e o policial militar Bruno Dias Delaroli, réu pelo homicídio. O julgamento, inicialmente previsto para abril e depois transferido para outubro, foi novamente adiado, desta vez para maio de 2027.
Entre os documentos apresentados está um acórdão do Superior Tribunal de Justiça que inclui o senador entre os advogados do acusado, informação utilizada para fundamentar o pedido de apuração. Para o denunciante, essa participação deve ser analisada no contexto de possíveis interferências de autoridades em processos contra agentes das forças de segurança.
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Em abril de 2024, a Quinta Turma do STJ rejeitou um agravo interno da defesa por fundamentos processuais, preservando a decisão de encaminhar o policial ao tribunal do júri. O julgamento desse recurso não estabeleceu culpa pelo assassinato nem comprovou as suspeitas de proteção institucional mencionadas na comunicação à ONU.
A documentação também reúne episódios do período em que Flávio integrava a Assembleia Legislativa do Rio, incluindo a homenagem concedida a Adriano da Nóbrega e contratações de familiares dele. Posteriormente apontado pelo Ministério Público como liderança miliciana, Adriano morreu antes do julgamento das acusações, que permaneceram sem uma sentença definitiva.
Outro elemento citado é uma manifestação parlamentar de 2007 na qual o então deputado apresentou as milícias como responsáveis pela segurança de comunidades e contestou sua estigmatização. A denúncia pede investigação sobre eventual amparo estatal a esses grupos, mas o encaminhamento dos documentos não representa uma conclusão da ONU sobre as alegações.
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