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Maior banco digital do Paraguai quebra e frustra “êxodo” bolsonarista

Maior banco digital do Paraguai, o Ueno Bank foi liquidado pelo Banco Central do país vizinho, em um escândalo bilionário, que provocou de executivos e em forte tensão no governo de extrema-direita de Santiago Peña. Por tabela, a crise também frustrou o planos de certos setores do bolsonarismo brasileiro de fazer do Paraguai um destino após a derrota nas eleições daqui. O Ueno seria um dos bancos mais utilizados por brasileiros para enviar recursos para o Paraguai.

O Ueno somava cerca de 3 milhões de clientes em um país de 6,8 milhões de habitantes. O banco também concentrava grandes volumes de depósitos do governo, movimentando cerca de 5 trilhões de guaranis – aproximadamente US$ 869 milhões em verbas estatais até meados do ano. Nas ruas de Assunción, protestos de clientes do banco pedem o impeachment de Santiago Peña.

Fraudes

Investigações apontaram esquemas de financiamento cruzado e concessão de empréstimos irregulares e ilegais para empresas dos próprios acionistas/donos do banco, entre eles o Grupo Vázquez. O Banco Central do Paraguai identificou que a instituição estava sem capital suficiente para honrar compromissos, determinando a intervenção e o encerramento de suas operações.

O Ministério Público paraguaio ordenou a prisão de 8 executivos por fraude (incluindo o presidente e vice-presidentes do Ueno). O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo — que presidiu a instituição antes de assumir o órgão regulador —, renunciou ao cargo.

O fechamento imediato deixou milhões de correntistas sem acesso aos seus saldos, provocando pânico e manifestações nas ruas. O Banco Central paraguaio garante os depósitos até US$ 38 mil, ou R$ 208,48 mil por cliente, mas que terá prazo de 15 dias para entregar a quantia. Acima desse valor, não há nenhuma garantia de reaver o dinheiro.

O Instituto de Previdência do Paraguai tenta recuperar na Justiça aproximadamente R$ 2 bilhões em fundos de aposentadoria depositados no banco.

A crise atingiu em cheio o governo paraguaio. O presidente Santiago Peña foi sócio e acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025, o que levou a oposição a cobrar investigações e articular pedidos de impeachment.

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