Meta teria mandado apagar registros envolvendo abuso sexual de menores
A Meta é acusada por um ex-funcionário de ter determinado a exclusão de registros relacionados a assédio e exploração sexual de crianças e adolescentes em suas plataformas. As denúncias de Jason Sattizahn integram um processo movido por 29 estados americanos contra a companhia e ampliam o debate sobre a proteção de menores nas redes sociais.
Sattizahn, que trabalhou como pesquisador de integridade e segurança na área de realidade virtual, afirma que a empresa passou a restringir estudos internos depois do vazamento de documentos feito por Frances Haugen, em 2021. Segundo ele, pesquisas envolvendo usuários de 13 a 17 anos passaram a enfrentar maior controle jurídico, especialmente quando tratavam de verificação de idade ou possíveis danos aos adolescentes.
Um dos episódios relatados ocorreu na Alemanha, em março de 2023, durante uma investigação envolvendo uma mãe e o filho menor de dez anos. O pesquisador diz ter recebido determinação de sua gerente e de uma advogada da Meta para eliminar informações coletadas sobre abordagens sexuais dirigidas à criança e pedidos de imagens íntimas.
A Meta nega ter ocultado riscos e sustenta que as orientações buscavam cumprir normas de proteção de dados e suas próprias regras de privacidade. O advogado Paul Schmidt também contestou a existência de evidências conclusivas que relacionem diretamente o uso das redes sociais por adolescentes à redução do bem-estar.
As acusações ganharam novo peso após o Tech Transparency Project identificar mais de 50 anúncios relacionados a ferramentas capazes de produzir imagens sexualizadas sem consentimento. Katie Paul, diretora da entidade, questionou a capacidade da companhia de proteger crianças enquanto conteúdos desse tipo circulam em seus serviços.
A empresa informou ter removido os anúncios denunciados e afirma que eliminou mais de 36 milhões de publicações relacionadas à exploração sexual de menores no último ano. Outro ex-executivo, Arturo Béjar, também declarou no processo que decisões internas priorizavam resultados financeiros sobre mecanismos de segurança, acusação contestada pela Meta.
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