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Nome aos Bois: fundador da “Piauí” lista empresários que ignoram ameaças à democracia para apoiar Flávio Bolsonaro

Em artigo publicado na revista Piauí nesta sexta-feira (02), o documentarista e fundador da publicação, João Moreira Salles, faz uma forte crítica ao empresariado brasileiro que se aproxima da candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mesmo sabendo dos riscos que a volta da extrema-direita ao poder no Brasil. O texto estabelece uma distinção central para entender a sustentação desse campo político: a diferença entre a massa de apoiadores que age por crença cega e as elites econômicas que compreendem perfeitamente o risco democrático, mas optam por ignorá-lo. Em uma atitude rara, ele não só critica mas dá “nome aos bois”, listando os grandes empresários que apoiam o candidato do PL.

Para Moreira Salles, enquanto parte da população apoia o bolsonarismo movida por fé e recusa à realidade — buscando “acreditar em vez de compreender” —, o grupo que frequenta jantares corporativos com Flávio Bolsonaro pertence a uma elite altamente instruída, com acesso à informação e pleno discernimento histórico. São empresários, acionistas e executivos que sabem exatamente que a trajetória da família Bolsonaro é marcada pela exaltação de figuras como o coronel e torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Recorrendo às reflexões teóricas de Hannah Arendt e à crítica literária de Parul Sehgal, Moreira Salles questiona não apenas o quem, mas o como as democracias são minadas. Segundo o autor, a erosão institucional ocorre no momento em que indivíduos em posições de poder decidem “desviar os olhos” e cruzar a linha imaginária da ética em nome de conveniências pragmáticas, interesses de mercado ou cálculo de poder.

Diferente de abordagens genéricas, o fundador da Piauí elenca de forma explícita uma lista de grandes empresários, banqueiros e lideranças do setor financeiro e industrial que participaram de encontros, jantares e articulações com Flávio Bolsonaro. Entre os nomes citados estão:

Mercado Financeiro e Bancos: André Esteves (BTG Pactual), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), Roberto Campos Neto, Marcelo Kayath, Emmanuel Hermann, Christian Egan e Daniel Goldberg.

Indústria, Varejo e Serviços: Flávio Rocha (Riachuelo), David Feffer (Suzano), Rubens Ometto (Cosan/Raízen), Richard Gerdau (Gerdau), Fábio Ermírio de Moraes (Votorantim), Fernando Marques (União Química), Paulo Skaf, José Galló (Renner) e Alexandre Ostrowiecki (Multilaser).

Energia, Logística e Outros Setores: Eduardo Bartolomeo (Vale), Pedro Parente, Mario Araripe, Fernando Simões, Eduardo Fischer, Roberto Dagnoni, Helio Seibel, Fabio Carvalho e João Camargo.

O artigo desconstrói a justificativa comum do meio corporativo de que tais encontros seriam apenas um dever pragmático de “ouvir quem tem densidade eleitoral”. Moreira Salles argumenta que – ao dar respaldo simbólico e normalizar candidaturas que flertam com o autoritarismo – a elite empresarial brasileira atua de forma decisiva na pavimentação e legitimação do retrocesso democrático no Brasil.

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