O Brasil tem 1.430 “felizardos” com patrimônio superior a US$ 100 milhões cada um, os chamados “ultra-ricos”. Numericamente, eles representam apenas 0,0007% da população brasileira, estimada em 213 milhões de pessoas, mas concentram, juntos, uma riqueza que equivale a um quarto ou 25% do Produto Interno Bruto (PIB) – soma de tudo o que o País produz em um ano.
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Os dados são do estudo “Progressividade fiscal e desigualdade: Tributação mínima de indivíduos com alto patrimônio na América Latina e no Caribe”, divulgado pelo Observatório Fiscal Internacional nesta terça-feira (14). De acordo com o levantamento, esses ultra-ricos detêm somados um patrimônio em dólar de US$ 596,8 bilhões, o que na cotação média de 2025 (R$ 5,35) significa um valor em Real de impressionantes R$ 3,192 trilhões.
Desigualdade extrema
O documento destaca que a América Latina é um dos continentes mais desiguais do mundo, com uma concentração de riqueza extrema que os atuais sistemas tributários não conseguem corrigir. Entre 2000 e 2026, a riqueza dos bilionários na região aumentou seis vezes, chegando a US$ 700 bilhões (10% do PIB regional), enquanto o patrimônio dos 50% mais pobres estagnou.
Os 50% mais pobres pagam, em média, 30% da sua renda em impostos – principalmente sobre consumo – enquanto o 1% mais rico paga cerca de 22%.
No topo da pirâmide, para os 0,01% mais ricos, as alíquotas efetivas caem drasticamente, chegando a apenas 20% no Brasil e 11% no Chile, metade da média da população. Isso ocorre porque os ultra-ricos conseguem manobrar o seu patrimônio para gerar pouca renda tributável declarada.
Imposto sobre riqueza
O relatório conclui propondo a criação de um Imposto Mínimo Efetivo sobre a Riqueza (IMER). O IMER não é um imposto adicional, mas um valor mínimo. Se os impostos já pagos sobre renda e riqueza não atingirem esse piso, cobra-se a diferença.
Simulações feitas para sete países, incluindo Brasil, Argentina e Chile, indicam que um imposto mínimo de 2% sobre patrimônios superiores a US$ 100 milhões geraria cerca de US$ 24 bilhões anuais. Com uma alíquota de 3%, a arrecadação poderia atingir US$ 36 bilhões.
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