O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), se recusou, nesta quinta-feira (21), a ler requerimentos da base do governo Lula e da oposição que pediam a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o esquema de fraude financeira bilionária do Banco Master. Os pedidos foram apresentados após a revelação das relações entre o pré-candidato oposicionista à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro.
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Alcolumbre justificou a sua decisão afirmando que o momento da leitura é um ato discricionário, ou seja, uma escolha que cabe exclusivamente à presidência da mesa do Congresso. “Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário da presidência da mesa do Congresso Nacional”, alegou.
Em resposta, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a postura de Alcolumbre, citando decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) que obrigaram a leitura de CPIs e afirmando que o presidente do Senado não conseguirá travar a comissão por muito tempo.
Fila
Atualmente, existem pelo menos cinco pedidos de abertura de inquérito parlamentar parados, além de ações que tramitam no STF para tentar obrigar o Parlamento a instalar a CPMI.
Na semana passada, o portal The Intercept Brasil expôs áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro negociando um repasse de R$ 134 milhões com Vorcaro, para o financiamento de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desse total, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.
A crise foi agravada pela descoberta de que Flávio visitou Vorcaro em novembro de 2025, depois que o banqueiro já havia sido preso pela primeira vez e usava tornozeleira eletrônica.
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