Recursos destinados à educação pública em dois municípios do agreste alagoano teriam sido utilizados para custear despesas sem relação com o ensino, segundo documentos, notas fiscais e levantamentos obtidos por reportagem da Folha de S. Paulo, que esteve nas cidades de Campo Grande e Olho D’Água Grande.
Os indícios apontam para gastos com insumos agrícolas, manutenção de veículos particulares, peças de maquinário rural e melhorias em uma arena privada de vaquejada ligada à família que domina a política local há décadas.
As suspeitas envolvem verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), principal fonte de financiamento da educação pública no país. O montante identificado chega a pelo menos R$ 6 milhões ao longo dos últimos cinco anos.
Enquanto os registros financeiros indicam pagamentos milionários, a realidade encontrada nas escolas é marcada por problemas estruturais. Unidades de ensino apresentam salas deterioradas, falta de equipamentos básicos, quadras interditadas e até atrasos no calendário escolar. Professores também relatam remuneração abaixo do piso nacional da categoria, sem reajustes recentes.
Entre os gastos questionados estão compras de materiais metálicos, telhas e itens de serralheria que teriam sido usados em obras de um parque de vaquejada privado. O espaço recebeu melhorias recentes, ao passo que escolas da rede municipal seguem sem reformas registradas. Também foram identificadas despesas com herbicidas, produtos agropecuários, pneus, brita e peças para tratores, classificadas em alguns casos como manutenção do transporte escolar.
Outra situação que chama atenção envolve repasses milionários a uma construtora que teria recebido quase R$ 5 milhões oriundos dos fundos educacionais dos dois municípios desde 2021. Apesar dos pagamentos, não foram localizados registros públicos de contratos vinculados à educação.
Procurados para comentar as informações, representantes das prefeituras e integrantes da família citada não apresentaram esclarecimentos. Órgãos de controle foram acionados, mas até o momento não divulgaram posicionamento sobre o caso.
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