Isenção do Imposto de Renda trava disputa entre governo, Centrão e oposição na Câmara
O texto do projeto que acelera a análise da isenção do Imposto de Renda (IR) para todos aqueles que ganham até R$ 5 mil enfrenta forte resistência por parte das lideranças do Centrão e da extrema-direita. Parlamentares da oposição se organizaram de modo a tentar derrubar, a todo custo, as chamadas medidas compensatórias, que são as propostas responsáveis por garantir o equilíbrio fiscal diante da perda de arrecadação estimada, em torno de quase R$ 100 bilhões.
Essas lideranças querem retirar importantes pontos do projeto, como a taxação de grandes fortunas, a cobrança de 10% sobre dividendos enviados ao exterior e, também, a tributação de lucros e dividendos acima de R$ 50 mil anuais. Caso esses detalhes sejam retirados do texto, o governo deverá apresentar uma nova saída para bancar o custo da mudança.
Uma reunião com os líderes partidários foi marcada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir esse impasse. Foi confirmada a presença de Arthur Lira (PP-AL) que é o relator do projeto. Para o governo, as compensações exigidas são “inegociáveis”, pois foram incluídas no projeto justamente para evitar qualquer crítica acerca de uma possível irresponsabilidade fiscal.
A proposta sobre o Imposto de Renda é uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, durante sua campanha, prometeu realizar a revisão da tabela do IR, garantindo a isenção para salários de até R$ 5 mil. Fora isso, também é prevista a aplicação de alíquotas menores para rendimentos entre esse valor e R$ 7.350. O objetivo é que esse projeto seja aprovado ainda em 2025, para começar a valer em 2026, ano de eleições presidenciais.
- Brasil registra primeira deflação desde 2023
- EUA endurecem regras para concessão de vistos e aumentam taxa a partir de setembro
- Brasil e Nigéria firmam acordos e defendem livre-comércio em meio a onda protecionista global
Contra as expectativas do governo, os líderes do PL e de parte do União Brasil enxergam o projeto como uma maneira de desgastar a narrativa de “justiça tributária” defendida por Lula. Para os parlamentares da oposição, não é justo que a conta recaia sobre empresários e investidores, e defendem que a melhor saída para resolver o impasse é apelar para cortes de gastos. Segundo o deputado Evair de Melo (PP-ES), o governo encontra-se “fragilizado, e é hora de priorizar o corte de despesas”.
Mas essa escolha não agrada a todos os integrantes do Centrão. Gilberto Abramo (MG), líder do Republicanos, está propenso a rejeitar a taxação de grandes fortunas, mas defende a ideia de que o Congresso deve, também, apresentar alternativas para compensação, alegando que os parlamentares não devem ser “irresponsáveis a ponto de prejudicar o país”.
Para o vice-líder do governo, Rubens Pereira Júnior (PT-MA), abrir mão das medidas compensatórias representa um risco para o Orçamento de 2026. Ele defende que a neutralidade fiscal deve permanecer. Entretanto, os articuladores admitem que só será possível avaliar o alcance da pressão da oposição após o resultado das negociações desta semana.
BookmarkContinue lendo
“As barreiras para as mulheres na política permanecem elevadas”, diz Mírian Gonçalves
Nos mais de 300 anos da emancipação política de Curitiba, a advogada Mírian Gonçalves (PT) continua sendo, até hoje, a única mulher a ocupar a cadeira...
Negros avançam nas urnas, mas seguem longe do poder no Congresso
A presença de candidatos negros nas disputas pelo Congresso cresceu na última década, mas esse avanço ainda não chegou na mesma proporção às cadeiras da Câmara...
Acidentes com entregadores disparam quase 35%
Os acidentes de trabalho envolvendo entregadores por motocicleta e bicicleta cresceram 34,92% no Brasil entre 2023 e 2025, período em que as notificações passaram de 8.582...
Candidaturas LGBT+ crescem 57% e mudam o mapa das eleições
As eleições gerais de 2026 têm 514 candidaturas LGBT+ confirmadas no país, número recorde e 57% superior ao registrado quatro anos atrás. O avanço foi identificado...
Mortes relacionadas ao calor crescem e acendem alerta para mudanças climáticas
O calor excessivo deixou de ser meramente um incômodo sazonal de verão. Agora, em diversas regiões do globo, ele é considerado um perigo cada vez maior...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





