O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que o Itamaraty e o Ministério da Justiça adotem medidas para dar andamento ao processo de extradição da ex-deputada Carla Zambelli, detida na capital italiana.
A movimentação ocorreu depois que tribunais da Itália validaram, em decisões de primeira e segunda instância, os pedidos enviados pelo governo brasileiro para o retorno da ex-parlamentar ao país.
A ordem assinada por Moraes foi encaminhada na última segunda-feira e ocorre depois que o STF recebeu oficialmente a comunicação da Corte de Roma sobre o andamento dos processos envolvendo Zambelli.
A ex-deputada acumula duas condenações já encerradas no Judiciário brasileiro. Uma delas envolve a inserção fraudulenta de informações no sistema do Conselho Nacional de Justiça. A outra diz respeito ao caso em que ela apontou uma arma e correu atrás de um homem pelas ruas de São Paulo, às vésperas da votação do segundo turno presidencial de 2022.
Mesmo com a autorização inicial para a extradição, a defesa ainda tenta reverter a situação na Corte de Cassação de Roma, última instância do Judiciário italiano. A audiência está marcada para sexta-feira. Como Zambelli permanece detida desde julho em uma penitenciária da capital italiana, a expectativa é que a análise do caso ocorra em prazo menor do que o habitual.
Depois da conclusão dos recursos, caberá ao governo da Itália decidir se entrega ou não a ex-deputada às autoridades brasileiras. A decisão definitiva sobre a entrega da ex-deputada às autoridades brasileiras ficará nas mãos do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio.
A defesa de Carla Zambelli sustenta que a ex-parlamentar estaria sendo alvo de motivação política e também contesta a condução dos processos pelo ministro Alexandre de Moraes. A defesa também afirma que a ex-deputada enfrenta problemas de saúde e diz haver preocupação com as condições do presídio da Colmeia, em Brasília, onde ela deverá cumprir pena caso retorne ao país.
Carla Zambelli deixou o cargo no fim do ano passado, depois que o Supremo Tribunal Federal derrubou a decisão da Câmara dos Deputados que havia garantido a manutenção de seu mandato.
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