A Justiça italiana decidiu, nesta quinta-feira (16), atender ao pedido do governo brasileiro para um segundo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, em relação a um processo de condenação por porte ilegal de arma de fogo. A medida foi confirmada por autoridades diplomáticas em Roma e ainda pode ser contestada por meio de recurso.
O caso analisado envolve um episódio registrado na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo, quando Zambelli foi flagrada perseguindo um homem armada após um desentendimento político.
As imagens repercutiram amplamente e motivaram investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), que posteriormente condenou a ex-parlamentar a mais de cinco anos de prisão, incluindo também o crime de constrangimento ilegal com uso de arma.
Além desse processo, Zambelli responde a outra condenação, relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesse caso, a Justiça italiana já havia autorizado a extradição anteriormente, mas a defesa apresentou recurso no último dia 10, ainda pendente de análise.
As investigações apontam que a ex-deputada teria atuado ao lado do hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos no sistema do órgão, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Com cidadania italiana, Zambelli deixou o Brasil em 2025, após condenação no STF, sendo considerada foragida. Desde julho do mesmo ano, ela está presa em um presídio nos arredores de Roma, sob justificativa de risco de fuga.
Brasil e Itália mantêm um tratado de extradição em vigor desde 1993, que prevê a cooperação entre os países para entrega de condenados ou investigados. Apesar das decisões judiciais, a palavra final sobre a extradição cabe ao governo italiano, por meio do Ministério da Justiça local, após análise definitiva dos recursos.
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