Palavra do tronco linguístico Bantu, “Canjerê”, nas religiões de matrizes africanas significa festa, encontro de que faz magia. Essa palavra também é o conceito que Thiago Elniño toma emprestado para batizar seu quarto disco de estúdio. Com previsão de lançamento em abril, pela gravadora Deck em abril, “Canjerê” é um grande encontro de quem faz da música sua magia.
Seguindo o estilo que o artista define como “rap artesanal”, o disco, quase um manifesto em prol das religiões de matriz africana, não abre mão de ser combativo e festivo ao mesmo tempo, em um momento em que terreiros são invadidos e fechados em ataques combinados entre extrema direita, igrejas neopentecostais, tráfico e milícias.
Entre outras referências, Thiago afirma que o disco se conecta com “Debí Tirar Más Fotos”, de Bad Bunny (2025). Assim como o álbum traz um grito em relação a Porto Rico, ele observa o movimento de popularização de elementos das religiões de matriz africana e posiciona seu trabalho nesse lugar: um disco que defende a religião e o território ao qual pertence, afirmando o orgulho de ser macumbeiro, de fazer parte da macumba.
“Esse disco faz parte dessa experiência de pegar a luta do povo preto, passar pelo filtro do rap e devolver pro lugar de onde ele veio, com outros recursos para continuar essa luta ”, comenta.
Em comparação com seus trabalhos anteriores, o novo disco se aproxima de uma produção e linguagem mais pop, com uma escrita mais acessíveis embaladas pelo ambiente de tambores fruto da contribuição com Ícaro Sá, percussionista do Baiana System, em muitas faixas, além de se destacar pelo grande número de participações, sendo 12 ao todo.
Nomes como Glória Bomfim, Bixarte, Sued Nunes, Lazzo Matumbi, Tássia Reis, Felipe Cordeiro, Daúde e Marku Ribas estão presentes no álbum “Canjerê”, disponível em todas as plataformas digitais a partir deste 15 de abril.
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