O governo federal prepara uma nova fase do programa Ministério da Fazenda voltada a um público diferente daquele atendido na primeira versão do Desenrola: trabalhadores e famílias que mantêm as contas em dia, mas já convivem com o peso sufocante dos juros altos no orçamento doméstico. A medida, que deve ser lançada ainda em junho, foi confirmada pelo secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, em Brasília, durante conversa com jornalistas sobre os ajustes finais do programa.
A proposta surge em um momento em que o crédito caro se tornou um dos principais fatores de desgaste financeiro para a classe média e para consumidores de baixa renda. Em vez de mirar apenas inadimplentes, como ocorreu na primeira etapa do Desenrola, o novo modelo tenta agir antes do colapso financeiro. A estratégia do governo é simples: trocar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos bancários por linhas mais baratas, reduzindo a pressão sobre a renda mensal das famílias.
O movimento também revela uma tentativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva de responder a um problema silencioso, mas crescente: milhões de brasileiros seguem pagando em dia, embora cada vez mais próximos da inadimplência. A leitura da equipe econômica é de que o endividamento excessivo ameaça o consumo e compromete a recuperação da economia.
Outro ponto que chama atenção é a pressa para colocar a iniciativa em funcionamento antes do endurecimento das regras eleitorais. O governo pretende limitar a duração do programa a 90 dias, repetindo o formato temporário da edição anterior, numa tentativa de evitar questionamentos políticos e jurídicos sobre uso eleitoral da medida.
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