Eleito no último domingo (12) para comandar a Prefeitura de Cabedelo, na região metropolitana de João Pessoa, Edvaldo Neto (Avante) foi afastado do cargo na terça-feira (14) por decisão da Justiça, menos de 48 horas após a vitória nas urnas. A medida ocorre no âmbito de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos e possível atuação do Comando Vermelho dentro da estrutura do município.
A ação, realizada em conjunto com o Ministério Público da Paraíba e com apoio da Controladoria-Geral da União, apura um suposto esquema que pode ter causado prejuízo de cerca de R$ 273 milhões aos cofres públicos. Além do prefeito, outros servidores municipais também foram afastados. Até o momento, a Prefeitura de Cabedelo não se manifestou oficialmente.
De acordo com os investigadores, foi identificado um fluxo financeiro irregular ligado a contratos públicos que teria beneficiado integrantes do Comando Vermelho. A apuração aponta ainda para uma rede de relações entre agentes públicos e operadores privados, indicando o uso da máquina administrativa como suporte logístico e financeiro da organização criminosa.
No centro do caso está a empresa Lemon Terceirização, suspeita de participação em processos licitatórios realizados em 2024 e 2025. Segundo a investigação, concorrentes teriam sido desclassificados para favorecer contratos previamente direcionados.
Também há indícios de que integrantes da facção, especialmente ligados ao grupo conhecido como “Tropa do Amigão”, influenciavam indicações para cargos públicos.
Outro ponto sob investigação é a existência de uma estrutura paralela de pagamentos, utilizada para distribuir recursos desviados sob a justificativa de contratação de mão de obra. As suspeitas incluem ainda a formação de um grupo integrado por políticos, empresários e membros da facção, atuando de forma coordenada.
A operação, batizada de “Cítrico”, cumpre 21 mandados de busca e apreensão e busca esclarecer a extensão do esquema, que, segundo relatos colhidos, envolvia troca de apoio territorial por cargos e contratos dentro da administração municipal.
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