PT pede investigação sobre negócios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
A bancada do PT na Câmara Federal protocolou, nesta segunda-feira (18), uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) para que a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC), com o auxílio do Tribunal de Contas da União (TCU), investigue possíveis irregularidades na negociação de R$ 134 milhões entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
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A proposta pede a apuração da negociação para financiar a produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o documento, também deve ser investigada a suspeita de que emendas parlamentares individuais conhecidas como “emendas Pix”, tenham servido de lastro indireto para custear o projeto.
A bancada cita reportagem do site Intercept Brasil, com base em áudios, comprovantes de depósitos e mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro, sobre o repasse de 24 milhões de dólares — equivalentes a cerca de R$ 134 milhões — para financiar o filme. Desse total, US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.
Ainda segundo a proposta, as operações teriam sido realizadas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, investigada pelo Banco Central como possível empresa “laranja” de Vorcaro, com recursos enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL).
Lavagem de dinheiro
Os petistas afirmam que a estrutura de pagamentos internacionais levanta suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A proposta também destaca que a produtora responsável pelo filme negou publicamente ter recebido valores oriundos dos recursos negociados entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. A negativa foi reforçada pelo deputado Mário Frias, um dos coprodutores do longa.
“A teia de irregularidades se aprofunda com a constatação de que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) — roteirista do filme e ex-Secretário Especial de Cultura do governo Bolsonaro — destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares individuais ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, que é simultaneamente sócia-administradora da GoUp Entertainment, produtora diretamente responsável pelo filme no Brasil”, afirmam os petistas no documento.
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