Skip to content Skip to footer

Entidade cobra no STF libertação de todos os indígenas presos no Brasil

Associação também denuncia que juízes e tribunais de todo o país utilizam uma suposta “integração à sociedade” para desconsiderar a identidade indígena

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) protocolou, nesta segunda-feira (18), um habeas corpus coletivo no Supremo Tribunal Federal pedindo que todo os indígenas presos em regime fechado do País sejam transferidos para o semiaberto ou prisão domiciliar.

O pedido é baseado na garantia da excepcionalidade da privação de liberdade e na adoção do regime especial de semiliberdade previsto no Estatuto do Índio, na Convenção 169 da OIT e na Resolução 287/2019 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A entidade também denuncia que juízes e tribunais de todo o país utilizam uma suposta “integração à sociedade” para desconsiderar a identidade indígena nos processos e impor regimes privativos de liberdade, além de negar o respeito aos seus costumes, crenças e tradições.

“Muitos parentes seguem sendo presos sem garantias básicas, como tradução em línguas indígenas, laudo antropológico e aplicação do regime especial de semiliberdade. Ao desconsiderar nossa identidade indígena para afastar essas garantias processuais e impor o encarceramento comum, o aprisionamento rompe também nossos vínculos com os territórios e modos de vida que sustentam nossa existência coletiva”, afirma Ricardo Terena, advogado indígena e Coordenador Jurídico da APIB.

Identidade desrespeitada

Para subsidiar o habeas corpus, a APIB produziu a pesquisa “Desconstituição da identidade indígena pelos tribunais brasileiros”, coordenada pela jurista Eloísa Machado (FGV). O estudo analisou 1.781 decisões colegiadas proferidas por tribunais de justiça, tribunais regionais federais e tribunais superiores — como o Superior Tribunal de Justiça e o STF — entre 1988 e 2025.

As decisões revelam uma prática sistemática do Judiciário de desconsiderar o pertencimento étnico indígena e adotar uma visão discriminatória, na qual fatores como escolaridade, conhecimento da língua portuguesa e uso de aparelhos celulares seriam tratados como provas da ausência de identidade indígena.

Ou seja, se o indígena possui documentos, trabalho regular ou um simples celular, é o suficiente para que juízes desconsiderem sua condição étnica e os coloquem em prisão em regime fechado, ignorando o previsto em lei, em que esse tipo de detenção deve ser exceção.

Bookmark

Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

Mais Matérias

15 jun 2026

Lula amplia vantagem em todos os cenários, mostra pesquisa BTG/Nexus

Além de liderar contra Flávio Bolsonaro, atual presidente abre vantagem contra Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos
12 jun 2026

Gleisi garante estar pronta para enfrentar o bolsonarismo no berço da “Lava Jato”

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado, deputada promete questionar o que Moro e sua turma fizeram pelo Paraná e o País desde que entraram no jogo político
15 jun 2026

TJ derruba benefício e família de Cláudio Castro fica sem escolta oficial

Estrutura suspensa custava cerca de R$ 900 mil mensais aos cofres públicos; decisão atinge ex-primeira-dama e filhos
15 jun 2026

Governo tenta barrar, mas Senado dá sinal verde para gastos bilionários

Apesar da ofensiva do Palácio do Planalto, senadores deram aval a projetos que afetam as contas públicas; renegociação de dívidas rurais lidera os gastos
12 jun 2026

Piada pronta: presidente do PL do RJ é suspeito de usar lavanderia da família para “lavar” dinheiro público desviado

Faturamento foi multiplicado de R$ 9,6 milhões nos governos anteriores para R$ 78,8 milhões entre 2021 e 2026
12 jun 2026

Comissão da Câmara aprova uso de royalties do petróleo para bancar tarifa zero no transporte

Financiamento do passe livre virá da arrecadação que exceder 10% da produção petrolífera em concessões

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário