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Robôs impulsionaram polêmica sobre detergente para encobrir áudios de Flávio Bolsonaro para Vorcaro

Menções a marca de detergente passaram de 2,4 mil para 600 mil em poucos dias
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Um levantamento realizado pelo Projeto Brief de comunicação e análise de dados revelou que metade das contas com maior alcance no debate sobre a polêmica envolvendo a marca de detergentes Ypê no X (antigo Twitter) eram robôs articulados por redes bolsonaristas. De acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, cinco dos dez perfis mais influentes na discussão foram identificados como automatizados e dedicados à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A análise técnica apontou que a movimentação dessas contas automatizadas foi intensificada em uma janela de tempo estratégica, coincidindo com a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro pedia dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Segundo especialistas ouvidos pela pesquisa, o pico artificial de engajamento em torno do boicote ou defesa da marca de produtos de limpeza foi utilizado como uma cortina de fumaça digital para desviar a atenção pública, abafar o escândalo de corrupção e encobrir o impacto das gravações envolvendo o parlamentar e o banqueiro.

Entre os indícios da manipulação está o fato de que as contas analisadas pelo estudo entre 29 de abril e 13 de maio tinham óbvias características de perfis automatizados, como publicações 24 horas por dia, nomes genéricos e imagens de perfil neutras ou sem rosto e ausência de interações orgânicas com outros usuários fora da “bolha” da extrema direita.

De acordo com o levantamento, uma semana antes do “estouro” da polêmica o termo “Ypê” somava apenas 2.446 menções na internet. Dias depois ultrapassou 600 mil. “O que parecia opinião pública era, mais uma vez, uma ilusão algorítmica muito bem explorada. No fim, todo mundo passa a falar do detergente, enquanto temas com impacto real na vida das pessoas perdem espaço”, explicou a pesquisadora Carolinne Luck, coordenadora do projeto.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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