A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor patamar já registrado para o período desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012. Os dados, divulgados na quinta-feira (30), mostram que a redução foi sustentada pelo aumento no número de pessoas trabalhando, enquanto a renda média permaneceu estatisticamente estável.
No trimestre terminado em março, usado como referência pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o índice estava em 6,1%. O resultado mais recente confirmou a projeção mediana de economistas consultados pela Bloomberg.
A população ocupada chegou ao recorde de 103,1 milhões de pessoas, atingindo, em três meses, cerca de 1,1 milhão de trabalhadores. Administração pública, educação e saúde lideraram a expansão, com 489 mil novos ocupados, com o transporte, armazenagem e correio acrescentando outros 235 mil.
William Kratochwill, analista do IBGE, em depoimento à Folha de S. Paulo, explicou que o desempenho acompanha a reorganização sazonal do mercado para o segundo semestre. Segundo o pesquisador, as contratações na educação pública tiveram peso relevante, e o crescimento de entregas e do transporte rodoviário de passageiros, atividades que incluem parte dos trabalhadores de aplicativos, também contribuíram para o resultado.
O emprego formal igualmente atingiu nível inédito, sendo que o setor privado reunia 39,4 milhões de empregados com carteira assinada até junho, maior número da série. Entre servidores públicos sem carteira, o contingente alcançou 3,5 milhões.
Já a população desempregada caiu para 5,9 milhões, com redução de 718 mil pessoas, ou 10,9%, frente ao trimestre encerrado em março. Pelos critérios do IBGE, só é classificado como desempregado quem não possui ocupação e procura trabalho.
A renda média mensal foi estimada em R$ 3.738. Embora tenha recuado 1,5% na comparação trimestral, a variação ficou dentro da margem de erro. Kratochwill apontou que a entrada de trabalhadores com menor escolaridade pode ter influenciado o indicador.
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