PF revela “códigos secretos” usados no rombo bilionário da Americanas
Termos aparentemente comuns no ambiente corporativo eram usados por integrantes da Americanas para identificar diferentes etapas das alterações contábeis investigadas pela Polícia Federal. A existência desse sistema de códigos aparece na decisão judicial que autorizou a segunda fase da Operação Disclosure, realizada em junho no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Nessa etapa, os agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão, enquanto a Justiça também determinou a indisponibilidade de bens e ativos no valor máximo de R$ 54 bilhões. O foco agora é esclarecer se acionistas de referência e integrantes de instituições financeiras tiveram alguma participação no esquema. A primeira fase havia concentrado as apurações em antigos dirigentes da varejista.
Um dos materiais recolhidos recebeu internamente a denominação “verdes e vermelhos”. Conforme a PF, a planilha reunia projeções feitas por analistas de bancos sobre o desempenho esperado da empresam sendo que os números serviriam para definir quanto seria necessário modificar nas contas para que lucro e margens ficassem próximos das previsões do mercado.
Os investigadores também encontraram diferentes versões dos demonstrativos. A primeira delas, identificada como “V0”, apresentava os dados sem intervenções, enquanto outras edições, numeradas em sequência, passariam a incorporar os lançamentos suspeitos. O resultado verdadeiro ainda era descrito por funcionários como “a vida como ela é”, enquanto os documentos reunidos ao fim de cada mês formavam o chamado “kit de fechamento”.
Outro grupo de expressões estava ligado às Verbas de Propaganda Cooperada. Em depoimento reproduzido no processo, Flávia Carneiro explicou que os registros considerados legítimos eram classificados como “Cartas A”. Os documentos fictícios recebiam o nome de “Cartas B” e, posteriormente, passaram a ser tratados como “botões”, “oportunidades” ou “alavancas”.
Na avaliação da PF, a troca de nomes tornava essas práticas corriqueiras e impedia que empregados em funções inferiores percebessem o que estava por trás das tarefas.
A defesa de Carlos Alberto Sicupira, Paulo Alberto Lemann e Eduardo Saggioro Garcia nega conhecimento das irregularidades. Os representantes afirmam que os acionistas foram enganados pela antiga diretoria e colaboram com as investigações desde 2023.
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