“Ópera Grunkie”: aos 70, Marina Lima lança álbum conceitual e desafia o próprio legado
A cantora e compositora Marina Lima lançou nas plataformas digitais, no último dia 24, o álbum “Ópera Grunkie”, trabalho que abre as celebrações de seus 70 anos e reforça uma marca recorrente em sua trajetória: a recusa em repetir fórmulas.
Dividido em três atos, o disco aposta em uma construção conceitual inspirada na ideia de “grunkie”, termo criado pela própria artista para definir uma comunidade de pessoas livres e criativas, e se apresenta como uma obra pensada em fluxo contínuo, mais próxima de uma narrativa do que de uma coleção de singles.
Com 12 faixas e pouco mais de 30 minutos, o projeto traz produção assinada por Marina, ao lado de Arthur Kunz, Edu Martins e Thiago Vivas, e reúne participações de nomes como Adriana Calcanhotto (em “Chega pra Mim”) e Ana Frango Elétrico (Um Dia na Vida), duas das melhores faixas do trabalho.
Também chama atenção a faixa colaborativa “Collab Grunkie”, que incorpora vozes diversas, incluindo um registro de Fernanda Montenegro, em uma proposta que mistura música, colagem sonora e experimentação.
O eixo central do álbum é a morte de Antonio Cicero, irmão e parceiro criativo da cantora. A perda atravessa o primeiro ato e se transforma em matéria artística em faixas que alternam entre dor, memória e reverência. Ainda assim, o disco evita se fechar no luto e abre espaço para encontros, ritmos diversos e referências que vão do pop rock à música eletrônica, passando por samba e reggaeton.
Apesar da ambição estética, “Ópera Grunkie” revela um contraste: como conjunto, o álbum soa mais instigante do que suas canções isoladas. Há momentos de força, especialmente nas colaborações e nos arranjos, mas parte do repertório não alcança o mesmo impacto histórico de obras anteriores da artista.
A estrutura em atos, embora conceitualmente interessante, nem sempre se sustenta com coesão ao longo da audição.
Ainda assim, o trabalho se impõe como registro de uma artista em movimento. Ao preferir o risco à nostalgia, Marina entrega um disco irregular, porém vivo, mais interessado em explorar caminhos do que em agradar expectativas.
Como bem diz Fernanda Montenegro em sua participação, “nada consola uma velhice idiota”. E, ao desafiar a si própria e ao ouvinte, Marina mostra que aprendeu muito bem a lição.
Continue lendo
Lula tira R$ 226 milhões do orçamento militar para priorizar saúde e assistência social
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou R$ 226,51 milhões em verbas previstas para o Ministério da Defesa e as Forças Armadas...
Cozinheiros do Bem perde apoio por conta de posicionamento político e vira alvo de ironia de Nikolas
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou o Instagram na quinta-feira (29) para ironizar relatos de suspensão de doações ao Cozinheiros do Bem, que oferece refeições...
Rebeca Matta quebra jejum de 13 anos com novo álbum
Rebeca Matta volta a lançar um álbum após 13 anos com a chegada de “Pélvica”, que chegou às plataformas de streaming na última sexta-feira (30). A...
Investidores perdem patrimônio com apostas eleitorais para vitória de Flávio
Investidores brasileiros que fizeram operações financeiras contando com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) relataram perdas superiores ao dinheiro aplicado após o segundo turno de domingo...
Jato usado por Flávio tem ligação com narcotráfico
O jato que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos passou a ser alvo de investigações após reportagens divulgadas na quarta-feira (28) apontarem uma...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





