PF mira ex-ministro de Bolsonaro em fraude bilionária no INSS
A nova etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (13), revelou detalhes de um dos maiores esquemas de desvios já identificados na Previdência Social. Segundo a Polícia Federal, o ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira, atualmente conhecido pelo nome religioso Ahmed Mohamad Oliveira, atuou como um dos articuladores institucionais que permitiram o avanço da fraude que atingiu aposentados e pensionistas em todo o país.
As investigações mostram que, enquanto ocupava cargos estratégicos dentro do INSS, Oliveira liberou repasses milionários à Conafer sem cumprir exigências básicas de verificação das filiações, o que abriu caminho para a inclusão indevida de mais de 650 mil benefícios em listas de descontos.
Um documento apreendido pelos agentes, datado de 2023, cita o pagamento de R$ 100 mil a “São Paulo Yasser”, codinomes atribuídos ao ex-ministro. A PF também localizou mensagens de WhatsApp que, segundo os investigadores, indicam agradecimentos após o recebimento de dinheiro.
A atuação irregular teria continuado mesmo após Oliveira assumir o comando do Ministério da Previdência no governo de Jair Bolsonaro. Segundo a PF, comunicações interceptadas sugerem que o fluxo de propinas permaneceu ativo durante sua gestão na pasta.
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Além do ex-ministro, a operação mira outros nomes de peso. O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, considerado peça essencial na engrenagem do esquema, foi preso nesta manhã. De acordo com a PF, ele recebia mensalidades que chegavam a R$ 250 mil, pagas por meio de empresas de fachada, algumas tão simples quanto uma pizzaria, e destinadas a manter a estrutura ilegal em funcionamento.
A estimativa da PF é que apenas a fraude vinculada à Conafer tenha desviado mais de R$ 640 milhões entre 2017 e 2023. Quando somadas outras entidades também investigadas, o prejuízo pode superar R$ 6,3 bilhões. O esquema envolvia falsificação de documentos, manipulação de sistemas do INSS e uso de intermediários para espalhar os recursos.
Entre os presos estão ex-dirigentes do INSS, empresários ligados à Conafer e operadores financeiros. Segundo as investigações, parte das vítimas assinava documentos acreditando estar cancelando convênios, mas as assinaturas eram usadas para autorizar novos descontos.
A Conafer afirmou, em nota, que colaborará com as autoridades e defendeu o direito à presunção de inocência dos citados. A defesa de Oliveira não foi localizada.
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