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Prefeitura quer tirar nome de Paulo Freire de escola e provoca revolta nas redes

A Prefeitura de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, em Minas Gerais, quer retirar o nome de Paulo Freire de uma escola municipal para homenagear o médico e ex-vice-prefeito Cantídio Cotta de Figueiredo. Encaminhada pelo prefeito Sadi Lucca à Câmara em 11 de junho deste ano, a proposta provocou críticas nas redes sociais.

Pelo projeto, a Escola Municipal Professor Paulo Freire passaria a se chamar Escola Municipal Dr Cantídio Cotta de Figueiredo, substituindo a referência ao educador brasileiro. A administração municipal justifica a escolha pela ligação do médico com a história da cidade, onde ele construiu sua carreira profissional e também exerceu funções públicas.

Na justificativa enviada aos vereadores, o Executivo procura afastar a interpretação de que a iniciativa diminui a importância de Paulo Freire. O documento reconhece a contribuição do educador para o ensino no Brasil e em outros países, além da influência de suas ideias na formação de professores e nas discussões sobre educação.

A reação nas redes, porém, reuniu questionamentos sobre a necessidade de alterar o nome da unidade de ensino. Nos comentários de uma publicação sobre o assunto, usuários criticaram o uso de tempo e dinheiro nessa iniciativa e cobraram atenção a outras demandas, enquanto algumas manifestações associaram a proposta à desvalorização da cultura.

O homenageado nasceu em Dom Silvério, na região central de Minas Gerais, e foi para o Rio de Janeiro em 1951 para cursar medicina. Sua formação ocorreu na Universidade do Brasil, instituição atualmente chamada Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especialização em ginecologia e obstetrícia antes de se estabelecer em Coronel Fabriciano.

A mudança para o município mineiro aconteceu no começo dos anos 1960, dando início a uma trajetória de décadas no atendimento à população local. Segundo os dados apresentados pela prefeitura, Cantídio atuou durante 48 anos no antigo Hospital Nossa Senhora do Carmo e teria acompanhado o nascimento de mais de 40 mil crianças.

Além do trabalho como obstetra, o médico esteve à frente do Hospital Nossa Senhora do Carmo e da Delegacia Regional de Saúde. Ele também desempenhou a função de médico perito coordenador vinculado ao Ministério da Saúde até 1999, somando atividades de gestão e serviço público à sua experiência no atendimento hospitalar.

Na política municipal, Cantídio ocupou a vice-prefeitura entre 2001 e 2005, período citado em sua trajetória de participação na vida da cidade. Ele encerrou a prática da medicina por volta dos 90 anos, durante a pandemia de Covid-19, e morreu em 27 de janeiro de 2024, aos 94 anos.

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