Presentes em 33% dos lares, canetas emagrecedoras expõem impasse entre saúde e magreza extrema
As chamadas canetas para emagrecer já estão presentes em 1 a cada 3 lares brasileiros. A popularização desses medicamentos acontece ao mesmo tempo em que aumentam as buscas por produtos sem registro e a magreza volta a ganhar espaço na moda, em Hollywood e nas redes sociais.
Levantamento do Instituto Locomotiva aponta que 33% dos domicílios do país tinham, em fevereiro de 2026, pelo menos um morador que usa ou já usou esses medicamentos. No fim de 2025, eram 26%. Além disso, 62% dos entrevistados afirmam conhecer alguém que utiliza ou já utilizou as chamadas canetas emagrecedoras.
O mercado também movimenta bilhões. Em 2025, foram cerca de R$ 10 bilhões em medicamentos para emagrecimento no país. A pesquisa aponta ainda que aproximadamente 40% dos usuários entrevistados adquiriram os produtos sem receita médica, pela internet ou no exterior.
A expansão acontece em meio ao retorno do debate sobre a valorização da extrema magreza. Reportagens recentes apontam preocupações de profissionais da moda e da saúde com a presença desse padrão em Hollywood e nas redes sociais, em um movimento que remete ao Heroin Chic, estética que marcou as décadas de 1990 e 2000.
Os medicamentos, por outro lado, têm aplicação clínica no tratamento da obesidade quando há indicação e acompanhamento profissional. A questão está em entender o que acontece quando uma ferramenta de saúde passa a fazer parte de uma cultura cada vez mais orientada pela busca por um determinado corpo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 16 milhões de pessoas conviviam com transtornos alimentares no mundo em 2021, incluindo aproximadamente 3,4 milhões de crianças e adolescentes.
Os dados não permitem afirmar que o uso das canetas ou a exposição a celebridades causem transtornos alimentares. Mas a repetição de determinados padrões corporais por influenciadores, marcas, celebridades e pela indústria da moda pode reforçar a pressão social pela aparência.
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