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PSOL pede que governo Lula declare embaixadora dos EUA “persona non grata” por interferência nas eleições do Brasil

O presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, protocolou, nesta sexta-feira (02), no Ministério das Relações Exteriores, um pedido para que a encarregada de negócios dos Estados Unidos no Brasil, Kimberly (Kim) Kelly – que responde interinamente pela embaixada estadunidense no País – seja declarada “persona non grata”. O motivo é a tentativa de interferência nas eleições brasileiras.

Entre as provas dessa tentativa listadas no pedido está o fato da representação diplomática dos EUA ter anunciado, a dois dias do primeiro turno das eleições, a suspensão dos atendimentos presenciais na embaixada e consulados por alegados motivos de segurança, sem esclarecer publicamente a natureza da ameaça. O documento argumenta que tal ato cria um clima de insegurança e desconfiança às vésperas da eleição. “Está claro que a embaixada está articulando diretamente para interferir no resultado da eleição”, avalia Medeiros.

O documento também menciona uma reportagem do The Guardian desta semana que revelou a destinação pelo governo Trump de US$ 1 milhão do Departamento de Estado dos EUA para uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal brasileiro, que gerou pedido de investigação por parte da Advocacia-Geral da União (AGU).

A federação cita ainda um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência que indicaria uma “escalada de pressão dos EUA contra o Brasil” e risco de interferência externa no processo eleitoral de 2026 em nível crítico.

Para fundamentar a ação, o pedido cita os artigos 4º e 84 da Constituição Federal, que definem os princípios que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil, incluindo a independência nacional, a autodeterminação dos povos e a não intervenção e que estabelece que compete privativamente ao Presidente da República manter relações com Estados estrangeiros e homologar seus representantes diplomáticos.

Também elenca a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que permite ao Estado receptor declarar qualquer membro diplomático como persona non grata a qualquer momento e sem necessidade de justificativa prévia ou comprovação de crime.

Além disso, o documento também pede apuração das reais motivações por trás do encerramento dos serviços consulares estadunidentes e exige esclarecimentos diplomáticos oficiais por parte da representação dos EUA.

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