Presidenciável, Ratinho silencia sobre tarifaço de Trump
Ao contrário de nomes como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, o paranaense não assumiu nenhum posicionamento
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), segue em silêncio sobre o tarifaço contra o Brasil, anunciado por Donald Trump no último dia 9 sob a justificativa de salvar Jair Bolsonaro da cadeia. Ao contrário dos demais pré-candidatos da direita à Presidência da República – Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) – o paranaense preferiu até agora não se posicionar sobre as medidas, apesar dos Estados Unidos serem o segundo maior comprador de exportações do Estado.
Em 2024, o Paraná exportou US$ 1,6 bilhão para os EUA. Entre os produtos que são exportados estão pescados, madeira, café, açúcar e papel. Tanto Tarcísio, quanto Zema e Caiado, se pronunciaram assim que a sobretaxação contra o Brasil foi anunciada, primeiro tentando culpar o governo brasileiro, e depois, diante da má repercussão entre o setor produtivo, modularam o discurso passando a defender negociações diplomáticas para reverter a situação.
Já Ratinho preferiu não entrar em “dividida”. Nas redes sociais do governador, desde o último dia 9, não há qualquer menção sobre o tema. Nesse período, ele seguiu publicando textos sobre obras e programas de sua administração.
Aliado de Bolsonaro, Ratinho também não comentou, até agora, as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente. Enquanto isso, o setor produtivo do Paraná demonstra grande preocupação com os prejuízos que o tarifaço de Trump podem trazer para a economia do Estado.
Um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) mostra que, em 2024, o setor de produtos de madeira paranaense foi responsável por US$ 615 milhões em exportações para os EUA, representando quase 40% das vendas do estado para o país.
Indústrias de madeiras perfiladas, molduras e outros insumos da construção civil são focadas quase exclusivamente em exportação aos EUA, chegando a ter uma taxa de 97% de sua produção destinada ao mercado estadunidense. Outros segmentos, como o de madeira compensada e serrada, dedicam entre 40% e 50% de suas produções para os EUA. No Paraná, a indústria da madeira emprega mais de 38 mil trabalhadores.
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